
Tashkent, 09 out 2022 (Lusa) — O caminho com as cores de Portugal tem sido positivo para a judoca Bárbara Timo, que em três presenças em Campeonatos do Mundo conquistou duas medalhas, confirmando que há quase quatro anos tomou a decisão certa.
“É incrÃvel. Toda a minha mudança, tudo o que fiz para chegar até aqui e no final estas medalhas, hoje concluo que correspondi à s minhas expectativas, sempre tive uma voz no coração que eu podia mais, que eu conseguiria mais, ter êxito entre as melhores do mundo”, explicou emocionada.
A judoca, de 31 anos e nascida no Brasil, conquistou hoje a medalha de bronze nos Mundiais em Tashkent, na categoria de -63 kg, depois de em 2019, no ano de estreia por Portugal já ter sido vice-campeã mundial em Tóquio, então a competir em -70 kg.
Barbara Timo reconhece que a própria resiliência e expectativas criaram este cenário, de confiança em si própria, mas que nada seria possÃvel sem o sonho que acalentou e o suporte que diz ter encontrado em Portugal.
Na hora dos agradecimentos, Timo enfatizou o Benfica, o seu clube, o presidente ‘encarnado’, o ‘vice’ Fernando Tavares, a coordenadora Ana Oliveira, os treinadores, entre os quais Ana Hormigo, mas também os companheiros de equipa e a Federação, com quem teve recentemente um litÃgio, que não evocou.
“Para a semana faz um ano de Paris [e da mudança de categoria], o que era uma aposta, hoje concretizo como uma certeza (…). A única parte individual é quando entro no tapete e aqui emociono-me, porque fora disso é toda uma equipa por trás”, assinalou a judoca, desfilando agradecimentos.
Sempre muito emocionada, a judoca analisou o percurso feito hoje em Tashkent, em que derrotou cinco adversárias, cedendo apenas na luta com a japonesa Megumi Horikowa, que seria campeã mundial e a relegou para a discussão do bronze.
“As atletas que encontrei são muito duras, a primeira [a sérvia Anja Obradovic] foi bronze no Mundial da Hungria, a segunda [a eslovena Andreja Leski] foi vice-campeã mundial, a terceira foi uma holandesa muito forte, então tive lutas muito, muito duras. Delas todas só não tinha treinado mesmo com a japonesa, é óbvio que era dura, tinha-a estudado, mas não foi suficiente”, explicou.
Depois, além das seis oponentes no tatami, há um sétimo combate que Timo diz fazer parte do processo, o da luta com a balança, numa fase de carreira em que é preciso forte restrição alimentar, para manter o peso e quando se desceu, ao contrário do que é habitual, de categoria.
“Sem rodeios. A minha competição começa no peso, fiz seis lutas hoje, mas considero que faço sete, a primeira é com a balança, há sempre uma preparação para isso”, disse.
De resto, foi um dia longo, desde que se levantou às 06:30 locais (02:30 em Lisboa), prosseguiu em cada combate já na Humo Arena, na subida ao pódio, nas solicitações para tirar fotografias, nas entrevistas que teve que dar e até regressar à zona de aquecimento, já noite.
“Acordei à s 06:30 da manhã, são 12 horas no modo competição, é um dia duro, mas o que tenho levado para mim mesma é que o judo é uma maratona, não fico vendo mais como um grande objetivo, mas como mais um passo e depois vou conquistar mais outro e outro, é muito mais uma maratona do que 100 metros. E foi assim que levei o dia, cada luta era uma parte dos quilómetros da maratona”, sublinhou.
A medalha de Bárbara Timo é a primeira conquista da seleção portuguesa em Tashkent e a 14.ª da história das participações lusas em Mundiais.
Da seleção ainda na capital uzbeque, de um total de oito judocas, faltam competir Anri Egutidze (-90 kg), na segunda-feira, o bicampeão mundial Jorge Fonseca (-100 kg), na terça-feira, e Rochele Nunes (+78 kg), na quarta-feira.
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