Jovens sobreviventes com maior risco de novo cancro

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Um estudo publicado no Canadian Medical Association Journal indica que sobreviventes de cancro em idade jovem apresentam um risco acrescido de desenvolver uma nova doença oncológica ao longo da vida.

A investigação baseia-se em dados do Registo de Cancro da província de Alberta, no Canadá, e analisou doentes diagnosticados entre 1983 e 2017, com idades entre os 15 e os 39 anos no momento do primeiro diagnóstico.

No total, foram acompanhados mais de 24 mil sobreviventes de cancro na adolescência e início da idade adulta. Destes, cerca de 1.400 desenvolveram posteriormente um novo cancro, um valor significativamente superior ao esperado na população geral.

Os dados mostram que estes sobreviventes têm cerca do dobro do risco de desenvolver uma nova doença oncológica. Os tipos de cancro mais frequentemente identificados incluem mama, colorretal e pulmão.

Segundo especialistas, este aumento de risco pode estar associado aos tratamentos utilizados no primeiro diagnóstico, como a radioterapia e a quimioterapia. Embora essenciais para a sobrevivência dos doentes, estas terapias podem aumentar a probabilidade de surgimento de novos tumores ao longo do tempo. Fatores genéticos também podem ter influência.

É ainda referido que os tratamentos atuais são mais avançados e menos agressivos do que os utilizados em décadas anteriores, o que poderá reduzir parcialmente este risco nas gerações mais recentes de doentes.

Perante estes resultados, especialistas defendem o reforço dos programas de rastreio e vigilância clínica dirigidos a sobreviventes jovens, de forma a permitir uma deteção mais precoce de novos casos.

É também sublinhada a importância do apoio psicológico e social, tendo em conta o impacto emocional associado ao risco acrescido de nova doença oncológica.

O estudo alerta para a necessidade de equilibrar a eficácia dos tratamentos com a qualidade de vida a longo prazo dos sobreviventes de cancro.