
Rangum, 07 mai 2019 (Lusa) – Os dois jornalistas da Reuters libertados hoje em Myanmar (antiga Birmânia), após serem sentenciados a sete anos de prisão pela investigação sobre o massacre de muçulmanos Rohingya, foram perdoados em nome do “interesse nacional”, segundo o Governo local.
“Os dois jornalistas da Reuters foram libertados depois de os lÃderes levarem em conta o interesse nacional a longo prazo”, disse à agência de notÃcias francesa AFP o porta-voz do Governo de Myanmar, Zaw Htay.
De acordo com o chefe da prisão de Insein, Zaw Zaw, os dois jornalistas foram libertados esta manhã depois de o Presidente de Myanmar, Win Myint, ter perdoado 6.520 presos.
Nas primeiras declarações à imprensa, um dos jornalistas garantiu que vai continuar a exercer a profissão.
“Sou jornalista e vou continuar”, disse Wa Lone, citado pela AFP.
Por seu lado, a agência Reuters emitiu um comunicado a saudar a decisão das autoridades de Myanmar, destacando a coragem dos dois trabalhadores, “sÃmbolos da importância da liberdade de imprensa”.
Os dois jornalistas partilharam com os seus colegas da Reuters, no inÃcio de abril, o Prémio Pulitzer de reportagem internacional, uma das maiores distinções do jornalismo.
No dia 23 de abril, o Supremo Tribunal de Myanmar tinha rejeitado o último recurso de Wa Lone e Kyaw Soe Oo, confirmando as sentenças de prisão de sete anos, na sequência de reportagens sobre a repressão militar contra a minoria muçulmana rohingya.
O escritório das Nações Unidas em Myanmar também já saudou a libertação dos dois jornalistas.
“Estamos satisfeitos que Wa Lone e Kyaw Soe Oo, dois jornalistas da Reuters presos sob a lei de segredos oficiais de 1923, obtiveram hoje um perdão presidencial. Agora, estão livres e podem reunir-se com suas famÃlias e retomar o seu trabalho vital “, declarou também a porta-voz da comissária da União Europeia dos Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, num comunicado.
Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram acusados de se terem apoderado de documentos secretos relativos à s operações das forças de segurança no estado de Rakhine, região do noroeste de Myanmar, palco das atrocidades cometidas contra a minoria muçulmana rohingya do paÃs.
Quando foram detidos, em dezembro de 2017, estavam a investigar o massacre de rohingyas em Inn Din, uma aldeia do norte do estado de Rakhine.
Desde então, as forças armadas reconheceram que realmente tinham sido cometidas atrocidades em setembro de 2017, e sete militares foram condenados a dez anos de prisão.
Ambos os repórteres declararam sempre ter sido enganados, e um dos polÃcias que testemunhou no julgamento admitiu que o encontro durante o qual os documentos secretos lhes foram entregues foi “uma armadilha” destinada a impedi-los de prosseguir o trabalho.
Desde 2017, mais de 700.000 rohingyas abandonaram a região, fugindo à violência do exército birmanês e de milÃcias budistas e refugiaram-se em campos improvisados no vizinho Bangladesh, um dos paÃses mais pobres do mundo.
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