
Genebra, SuÃça, 14 jan 2024 (Lusa) — As instituições geridas pela ultraconservadora Fraternidade São Pio X registaram, desde a sua fundação, em 1970, casos sucessivos de violência sexual, psicológica e fÃsica, avançou no sábado uma investigação do jornal suÃço Le Temps.
Este grupo dissidente da Igreja Católica “não pode escapar à s acusações de controlo, violência sexual e sectarismo”, referiu o jornal.
Um grupo de ajuda à s vÃtimas estima em 60 o número de “padres problemáticos”, ou quase 10% dos sacerdotes da fraternidade.
O grupo, criado em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, opõe-se à s reformas da Igreja Católica adotadas pelo ConcÃlio Vaticano II na década de 1960.
A sede está localizada perto de Menzingen, uma vila na região de Zug, ao sul de Zurique.
A fraternidade diz estar presente em mais de 60 paÃses em seis continentes, com 590 sacerdotes e quase meio milhão de fiéis.
O Le Temps dedicou as primeiras seis páginas da edição de sábado à investigação, que diz se ter prolongado durante vários meses.
O jornal afirma ter tido acesso a mais de 20 documentos internos da fraternidade, incluindo cartas assinadas por altos funcionários e extratos de investigações internas.
“A nossa análise mostra que a violência sexual, psicológica e fÃsica ocorreu nos quatro cantos da Europa e do mundo, desde a fundação — ou por aà — da fraternidade e até 2020”, refere o Le Temps.
François de Riedmatten, natural de Sion, em Valais, sudoeste da SuÃça, cresceu na fraternidade depois de ter sido enviado para o internato do grupo em La Péraudière, na França.
Atualmente com 41 anos, ele descreveu os maus-tratos por parte de um supervisor, que “tinha prazer em causar danos”.
Contactado pelo Le Temps, o atual diretor da escola La Péraudière disse ter ficado “atordoado e revoltado” ao ouvir as acusações.
François-Joseph Bonnand garantiu que o supervisor em questão não faz mais parte do quadro de funcionários e que a punição fÃsica não é mais praticada no estabelecimento.
No entanto, os espancamentos de François de Riedmatten já tinham começado antes, em Fleurs de Mai, a escola primária da irmandade em Valais, disse ele.
“Fomos espancados na frente de outras pessoas, com paus e com as calças baixadas”, lembrou.
De acordo com o Le Temps, o grupo recusou-se a responder a perguntas feitas pelo jornal
Num e-mail, disse apenas que, em casos particularmente dolorosos, “a principal preocupação da fraternidade é com as vÃtimas”.
“Oferece-lhes assistência, apoiando-os, incentivando-os a apresentar queixas à s autoridades judiciais, orientando-os nos procedimentos legais e apoiando-os na sua reabilitação, na medida do possÃvel”, disse
Na sequência da reportagem, as autoridades do cantão suÃço de Valais anunciaram que irão investigar a escola Fleurs de Mai.
O objetivo é “verificar se práticas inqualificáveis” ainda ocorrem lá, declarou um funcionário de Valais, Christophe Darbellay, à televisão suÃça.
O responsável pelo Departamento de Educação visita a escola na segunda-feira, acompanhado por dois inspetores.
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