Jornada que une Timor-Leste e Indonésia prova que reconciliação e paz são possíveis – Ramos-Horta

Díli, 19 nov 2025 (Lusa) — O Presidente timorense, José Ramos-Horta, afirmou hoje que a jornada que une Timor-Leste e a Indonésia é a prova de que a reconciliação e a paz são possíveis, após décadas de conflito.

“Os seres humanos são seres humanos. A geografia, as religiões, as culturas, a política, não alteram a nossa humanidade fundamental. As nossas experiências, perceções, medos e incertezas podem persistir após décadas de conflito, mas continuamos todos a ser seres humanos que anseiam naturalmente por liberdade, segurança, conforto, todos merecedores de uma oportunidade para viver em paz e dignidade”, disse Ramos-Horta.

O Presidente timorense discursava na cerimónia de atribuição do título doutor ‘honoris causa’ em Ciências Políticas pela Universidade de Messina, na Sicília, Itália, onde se encontra para uma visita de trabalho, que inclui também o Vaticano.

“As nossas fronteiras comuns com a Indonésia são cruzadas todos os dias por milhares de pessoas unidas por laços familiares, afinidades religiosas, redes comerciais, cooperação educativa e valores partilhados de inclusão e fraternidade”, salientou o também prémio Nobel da Paz.

Timor-Leste declarou unilateralmente a sua independência em 28 de novembro de 1975, mas, nove dias depois, a 07 de dezembro de 1975, a Indonésia invadiu e ocupou o território.

A restauração da independência só aconteceria a 20 de maio de 2002, depois da realização de um referendo pela autodeterminação, a 30 de agosto de 1999.

“Hoje, Timor-Leste e a Indonésia têm a relação mais estreita entre quaisquer dois países: Timor-Leste, o segundo país mais católico do mundo, e a Indonésia, o país com a maior maioria muçulmana do mundo”, lembrou Ramos-Horta.

O Presidente disse também que a relação entre os dois países não está inscrita apenas na história, mas também no futuro.

“Como 11.º estado-membro da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático], esse futuro assenta na cooperação económica e no comércio, em intercâmbios académicos, na educação dos jovens, no emprego e mobilidade, no encontro entre as nossas culturas, na preservação ambiental, na paz, na segurança e na cooperação no Sudeste Asiático, no Mar da China Meridional, no Nordeste e no Sul da Ásia”, acrescentou.

No âmbito da sua visita, o Presidente é recebido sexta-feira em audiência privada pelo Papa Leão XIV, tendo depois um encontro com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé.

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