
Lisboa, 30 jun 2021 (Lusa) – O empresário Joe Berardo vai ser hoje inquirido no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) após ter sido detido na terça-feira por suspeita de burla qualificada, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, entre outros ilÃcitos.
Em declarações na terça-feira a jornalistas, Paulo Saragoça da Matta, advogado de defesa de Joe Berardo neste processo, confirmou que o seu constituinte será ouvido hoje no TCIC – o chamado “Ticão” -, sem adiantar se Berardo pretende, como arguido, prestar declarações ao juiz Carlos Alexandre ou remeter-se ao silêncio.
Saragoça da Matta referiu “não saber o que está nesta investigação”, confirmou que hoje “haverá tomada de declarações em interrogatório judicial” e criticou que haja “processos que duram há cinco e seis anos e só depois se lembram de fazer uma detenção”.
O advogado declarou ainda aos jornalistas que o empresário e arguido Joe Berardo permanece “calmo” e “bastante sereno”, tendo confirmado que o seu cliente foi detido hoje “em casa”, no decurso da operação policial que envolveu buscas e dois mandados de detenção.
Segundo comunicados da PJ e do DCIAP, nesta investigação – denominado processo Caixa Geral de Depósitos (CGD) – existem suspeitas da prática dos crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento e, eventualmente, crimes cometidos no exercÃcio de funções públicas.
As diligências de investigação hoje desenvolvidas envolveram também a Autoridade Tributária e juÃzes de instrução criminal.
No total, foram realizadas cerca de meia centena de buscas, sendo 20 domiciliárias, 25 não domiciliárias, três a estabelecimentos bancários e uma a escritório de advogado, tendo ainda sido emitidos dois mandados de detenção, visando Joe Berardo e o seu advogado de negócios e de longa data José LuÃz Gomes.
Estas diligências decorreram em vários locais do paÃs, nomeadamente, em Lisboa, Funchal e Sesimbra.
As diligências – indicou o DCIAP – foram executadas pela PJ, com a intervenção de 138 elementos desta força policial, acompanhados de nove magistrados do Ministério Público, sete JuÃzes de Instrução Criminal e 27 inspetores da Autoridade Tributária, “a maioria dos quais foram alocados apenas para a concretização desta operação, não tendo a equipa de investigação do processo esta composição”.
A PJ esclareceu que se trata de um grupo “que entre 2006 e 2009 contratou quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de euros” e que terá causado “um prejuÃzo de quase mil milhões de euros” à CGD, ao Novo Banco e ao BCP.
“Este grupo tem incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dÃvida para não a amortizar”, acrescenta a PJ no mesmo comunicado.
Na investigação, que começou em 2016, foram identificados “procedimentos internos em processos de concessão, reestruturação, acompanhamento e recuperação de crédito contrários à s boas práticas bancárias”, refere ainda a polÃcia de investigação criminal.
Os investigadores procuram indÃcios de “atos passÃveis de responsabilidade criminal e dissipação de património”.
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