
Luanda, 13 mar 2020 (Lusa) — O Presidente da República de Angola, João Lourenço, avisou hoje que não é possÃvel dispensar a justiça no combate à corrupção e que vai continuar esta luta apesar da “resistência organizada” que tem encontrado.
“É evidente que a perda repentina dos direitos abismais que alguns pensam ser um direito divino inquestionável, tinha de criar resistência organizada na tentativa de fazer refrear o Ãmpeto das medidas em curso”, declarou o presidente no seu discurso de abertura da III Reunião ordinária do Comité Central do MPLA.
Sem citar nomes, falou de pessoas que tiveram “uma ambição desmedida, mas que deviam, pelo contrário, agradecer a ação do executivo.
“Se deixássemos a festa continuar talvez viessem morrer de congestão de tanto comer”, iroizou.
Reforçou que foi o MPLA, partido do poder, que “teve coragem de encabeçar a luta contra estes fenómenos negativos e condenáveis” ao reconhecer os danos causados pela corrupção e nepotismo à economia e aos cidadãos, mas acrescentou que esta luta já não é só do MPLA e da oposição, e sim de toda a sociedade angolana
Uma luta que, continuou, “penalizará aqueles que dela desistirem ou pretenderem regressar ao passado”.
O combate à corrupção que João Lourenço elegeu como bandeira do seu mandato presidencial tem merecido elogios da comunidade internacional, mas também suscitado algumas vozes crÃticas que acusam o executivo de ser seletivo elegendo como alvos, os familiares e próximos do ex-presidente José Eduardo dos Santos.
A filha mais velha, Isabel dos Santos, é atualmente arguida num processo crime devido à sua gestão na petrolÃfera estatal Sonangol e viu igualmente a justiça arrestar os seus bens e participações sociais num processo em que o Estado reclama mil milhões de dólares.
No discurso de hoje, João Lourenço fez questão de sublinhar que é a sociedade angolana que exige a continuação desta luta “pelos ganhos morais, de reputação e económicos” que o paÃs beneficiará.
 Deixou também recado à s “vozes discordantes” da forma como a luta vem sendo desenvolvida, nomeadamente pessoas e instituições que julgam que é possÃvel combater a corrupção com campanhas de educação e sensibilização e apelo ao patriotismo, dispensando a ação da justiça.
Todas essas ações são importantes e necessárias, mas “servem para educar e prevenir os cidadãos para não enveredar por caminhos errados”, já que sendo a corrupção um crime, para quem nela está envolvido, “não há forma de se evitar a intervenção dos órgãos de justiça”, salientou João Lourenço.
Assinalou ainda que o Estado foi “benevolente e magnânimo” ao dar um perÃodo de graça de seis meses, quase equivalente a uma amnistia, para quem quisesse repatriar voluntariamente os capitais no exterior ou os bens ilicitamente adquiridos no paÃs.
“A anterior situação beneficiou muita gente de dentro e de fora que obviamente não está satisfeita com o atual quadro e, por isso, luta com todas as forças para ver se ainda possÃvel voltar a reinar no paraÃso e usam todos os meios para descredibilizar o processo em curso”, acusou o chefe do executivo angolano.
Garantiu ainda que vai manter a postura e coragem polÃtica face ao fenómeno da corrupção, pois assim “o partido sairá mais forte” e em melhores condições de enfrentar os desafios que tem pela frente.
João Lourenço concluiu o discurso parabenizando a mudança de lideranças em alguns partidos com assento parlamentar , afirmando a vontade de manter um diálogo construtivo e relações salutares de amizade e de trabalho com os novos lÃderes.
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