
Odivelas, Lisboa, 19 mai (Lusa) – O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje o PS de se aliar aos partidos “da direita contra os direitos dos trabalhadores e reiterou que “não assinará de cruz” a proposta do próximo Orçamento do Estado.
Esta tarde, durante um almoço comÃcio em Odivelas, Jerónimo de Sousa, teceu duras crÃticas ao posicionamento dos socialistas face à s últimas propostas apresentadas pelos comunistas na Assembleia da República, nomeadamente as respeitantes à universalização dos horários de trabalho de 35 horas semanais, que mereceram o chumbo do PS, PSD e CDS-PP.
“PS, PSD e CDS têm chumbado todas as iniciativas, numa convergência que atesta os fortes laços de classe que os unem quando se trata de optar pelos interesses do capital e os limites do governo do PS e da sua polÃtica em matéria de valorização do trabalho e dos trabalhadores”, apontou.
Num discurso de cerca de meia hora, o lÃder comunista afirmou que o posicionamento do PS “está a estragar o caminho da atual solução polÃtica”, uma vez que “há um desejo de regresso ao passado”.
“O que esta convergência na votação da legislação laboral confirma é que PS, PSD e CDS querem consolidar o retrocesso que foi imposto aos trabalhadores portugueses nestes últimos anos de ofensiva de PEC e Pacto de Agressão. Uma convergência que mostra que o grande obstáculo à solução dos problemas do PaÃs e ao melhoramento das condições de vida dos trabalhadores e do povo, a polÃtica de direita, se mantém nas opções fundamentais da atual solução governativa”, apontou.
A revogação dos mecanismos de adaptabilidade do banco de horas individual, do banco de horas grupal, banco de horas na função pública e a redução do horário de trabalho para as 35 horas para os trabalhadores da função pública e do setor privado são algumas das medidas defendidas pelo PCP.
No seu discurso, Jerónimo de Sousa reiterou que o partido não irá “votar de cruz” a proposta do Orçamento do Estado para 2019, embora essa seja a intenção do Presidente da República e do primeiro-ministro, ressalvando que este deverá “corresponder aos interesses dos trabalhadores e do povo”.
“É do exame concreto que dele fizermos, da verificação se ele corresponde aos interesses dos trabalhadores e do povo, do caminho que faça no sentido de avanço na reposição e conquista de direitos que decidiremos. O PCP não desperdiçará nenhuma oportunidade para fazer avançar direitos e salários”, concluiu.
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