
Buenos Aires, 20 nov 2023 (Lusa) — O economista ultraliberal Javier Milei afirmou no domingo à noite, no seu discurso de vitória nas presidenciais, que “começa o fim da decadência” e a “reconstrução da Argentina”, mas alertou que “não haverá meias medidas”.
“É uma noite histórica para a Argentina”, disse Milei a vários milhares de apoiantes na sua sede de campanha em Buenos Aires, após ter garantido mais de 55% dos votos, vencendo o atual ministro peronista da Economia, Sergio Massa, que já reconheceu a derrota.
“O modelo empobrecedor de castas acabou. Hoje [domingo] estamos a adotar o modelo de liberdade, para nos tornarmos novamente uma potência mundial”, disse Milei. “Termina uma forma de fazer polÃtica e começa outra”, acrescentou.
“Enfrentamos problemas monumentais: inflação, estagnação, ausência de empregos reais, insegurança, pobreza e miséria”, enumerou o presidente eleito. “Problemas que só terão solução se abraçarmos mais uma vez as ideias de liberdade”, acrescentou
“Não há espaço para o gradualismo, não há espaço para a tibieza ou meias medidas”, alertou Milei.
Durante a campanha, o candidato prometeu introduzir o dólar dos Estados Unidos como moeda nacional, para combater a inflação, atualmente em 143%, entre outras ruturas nas polÃticas económicas e financeiras do paÃs.
Outra proposta é uma redução drástica do número de ministérios, para apenas oito, o que levou o seu adversário a afirmar durante a campanha que estava em causa prestação de serviços essenciais à população, incluindo Saúde e Educação.
O economista estendeu no domingo à noite a mão a “todos os argentinos e lÃderes polÃticos, todos aqueles que querem aderir à nova Argentina”, mas também alertou sobre uma possÃvel resistência social à s suas reformas.
“Sabemos que há pessoas que vão resistir, que vão querer manter este sistema de privilégios para alguns, mas que empobrece a maioria. Digo-lhes isto: tudo o que está na lei é permitido, mas nada além da lei”, sublinhou.
Com 97,6% dos votos contados, Javier Milei segue com 55,8% e Sergio Massa com 44,2%, segundo resultados parciais oficiais da segunda volta das presidenciais.
Na primeira volta, em 22 de outubro, Massa obteve 36,78% dos votos, enquanto Milei, que é apoiado pelo ex-presidente Mauricio Macri e se define como um “anarco-capitalista” – uma forma extrema de liberalismo defensora de uma sociedade capitalista sem Estado – ficou com 29,99%.
Para a reta final da eleição, Milei obteve o apoio da terceira classificada na primeira volta, Patricia Bullrich.
O próximo presidente argentino, que sucederá ao peronista Alberto Fernández (2019-2023), governará a partir de 10 de dezembro para o perÃodo 2023-2027.
Milei pediu ao Governo de Fernández “que seja responsável” e “assuma as suas responsabilidades até ao final do mandato”.
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