
Jerusalém, 04 dez 2023 (Lusa) — Israel emitiu mais de 260 mil licenças de porte de arma desde o inÃcio da guerra com o Hamas, em 07 de outubro, um número recorde hoje divulgado que reflete a crescente posse de armas entre a população civil.
“Em qualquer lugar onde exista uma arma pode salvar-se uma vida”, considerou o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, um extremista de direita que após ter assumido o cargo facilitou os processos burocráticos para que os civis israelitas possam obter uma licença de porte de arma.
“A minha polÃtica foi permitir que o maior número possÃvel de pessoas consiga ter uma arma”, acrescentou Ben Gvir, precisando que no perÃodo mais intenso foram concedidas diariamente cerca de 3.000 licenças para obter uma arma.
Nas duas semanas posteriores ao inÃcio do atual conflito com o Hamas, desencadeado por um ataque do braço armado do movimento islamita palestiniano que provocou cerca de 1.200 mortos em território israelita, foram apresentados mais de 100.000 pedidos para licença de porte de armas.
A venda de armas e os cursos de treino para obter a licença também aumentaram até 200% no perÃodo de 15 dias após o inÃcio da guerra, segundo fontes do setor citadas pela agência noticiosa espanhola EFE.
Nas ruas de Israel, e nos dois últimos meses, surgem cada vez mais civis armados, geralmente com pistolas que transportam nas calças, segundo relata a agência espanhola.
Na passada quinta-feira, um ataque de dois palestinianos numa paragem de autocarros em Jerusalém provocou a morte de três israelitas. Os atacantes foram mortos por um civil armado, Yuval Castleman, e por um soldado que se encontrava fora de serviço.
No entanto, o incidente terminou de forma trágica, após o militar matar Castleman a tiro, que ergueu as mãos e gritou não ser um atacante.
Este recente acontecimento fez ressurgir o debate sobre a extensão da licença de porte de armas em Israel, e hoje foi anunciada a detenção do soldado que disparou e matou Castleman.
Ao comentar este incidente, Ben Gvir disse hoje “não existir ligação” entre a sua polÃtica para flexibilizar a posse de armas e a morte de Castleman.
“Julgo ser necessário eliminar terroristas e, por outro lado, estamos a falar de um incidente trágico”, sublinhou.
O chefe do Departamento de licenças de armas do Ministério da Segurança Nacional admitiu hoje divergências com Ben Gvir sobre a polÃtica do aumento da concessão de armas aos civis, após manifestar preocupações pela entrega de autorizações a requerentes que não cumprem as condições, indicaram os ‘media’ locais.
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