Israel quer manter “liberdade de operação” em Gaza após acordo

Jerusalém, 02 ago 2026 (Lusa) — Israel exige que o exército conserve “liberdade de operação” nas zonas de Gaza que seriam entregues à Força Internacional de Estabilização, conforme acordo de paz com o Hamas, grupo que seria desmilitarizado, noticia hoje o jornal Haaretz.

Aquele periódico, citado pela EFE, refere duas fontes próximas do processo em Israel, país que considera três pontos do acordo anunciado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “inaceitáveis”.

Israel pede a manutenção do controlo de parte do enclave palestiniano, cuja ocupação tem ampliado desde outubro de 2023, quando se agravou o conflito na faixa na sequência de ataques do Hamas em solo israelita.

Os outros dois pontos cruciais para Jerusalém prendem-se com um acordo que implique o desarmamento definitivo do Hamas, com a destruição total do armamento que possuem, e a “exclusão do Qatar e da Turquia do processo de verificação” dos termos do documento.

Na sexta-feira, Trump anunciou que o Conselho da Paz que o próprio criou tinha alcançado um acordo “histórico” e que acordava “o desarmamento total” deste e outros grupos milicianos palestinianos na Faixa de Gaza.

Segundo o Presidente norte-americano, este acordo será implementado de forma faseada e permitirá formar “um novo governo palestiniano” em Gaza, tendo tido esforços de mediação de Egito, Qatar e Turquia.

Depois do anúncio, um membro da administração republicana em Washington disse aos jornalistas que o Presidente ficaria “muito desiludido” se Israel não cumprisse a sua parte do acordo, enquanto o Hamas confirmou o entendimento para o desarmamento.

Segundo o movimento islamita, o documento inclui “a obrigação” de que Israel “se retire da Faixa de Gaza”, e mencionava ainda outras questões, como a reconstrução e garantia de autodeterminação a um estado palestiniano independente, a dissolução de grupos armados associados a Israel, a entrada em funções do Comité Nacional para a Administração de Gaza e a presença de forças de proteção internacionais no território.

O líder israelita, Benjamin Netanyahu, ainda não se pronunciou publicamente sobre as pretensões de Trump, com quem se reuniu na terça-feira, embora o republicano tenha dito sexta-feira que Israel estava “satisfeito” com o acordo.

O cessar-fogo rubricado em 10 de outubro de 2025, e mediado por Trump tem sido, na prática, violado todos os dias por Israel, tendo morrido desde 1.225 palestinianos em Gaza, e as forças israelitas passaram a reclamar o controlo atual de mais de 60% do território.

Na sexta-feira, o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, mostrou-se cético quanto ao desarmamento do movimento islamita palestiniano, mas assegurou que o país estava comprometido com o sucesso do acordo.

O roteiro para a cessação das hostilidades inclui a eliminação progressiva das capacidades militares do Hamas, o desmantelamento de túneis no território e arsenais de armas e um sistema de monitorização internacional durante o processo.

O documento estabelece ainda que a primeira condição para o progresso será a cessação completa das operações militares e o cumprimento das obrigações estipuladas no acordo de cessar-fogo, além de contemplar uma retirada gradual das forças israelitas.

A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

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