
Nova Iorque, Estados Unidos, 15 jun 2026 (Lusa) – A ONU registou hoje mais de 130 disparos de projéteis de Israel em direção ao sul do Líbano e nenhum proveniente do Hezbollah, desde que foi anunciado o acordo de paz entre Washington e Teerão.
Segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) observou “uma diminuição da violência e dos tiroteios” entre a meia-noite e as 16:00 de hoje, ou seja, entre as 21:00 de domingo e as 13:00 de segunda-feira, hora de Lisboa.
Nesse intervalo de tempo, a missão ainda detetou “133 projéteis e dois ataques aéreos atribuídos às Forças de Defesa de Israel [IDF]”, no entanto, “não foram notificados projéteis do Hezbollah nem de atores não estatais durante esse período”.
A Agência Nacional de Notícias libanesa (ANN) avançou hoje que pelo menos uma pessoa morreu hoje num bombardeamento com um drone israelita no sul do Líbano, aquele que foi o primeiro ataque mortal de Israel após o anúncio do memorando de paz entre Estados Unidos e Irão.
“Um drone inimigo atingiu um carro na aldeia de Kfar Tebnit, no sul do Líbano, causando a morte do condutor”, informou a Agência Nacional de Notícias libanesa (ANN), que anteriormente tinha afirmado que um jornalista tinha sido ferido na mesma zona “por um projétil”.
Os Estados Unidos e o Irão anunciaram um acordo de paz para travar a guerra, após mais de 100 dias de conflito, e reabrir o estreito de Ormuz.
Embora ainda não se conheça todo o conteúdo do memorando, Teerão propôs há algumas semanas o cessar-fogo da ofensiva israelita no sul do Líbano como uma das condições para a sua assinatura.
No entanto, os Estados Unidos negaram hoje que a retirada das forças israelitas seja uma condição incluída no acordo.
“A retirada não é uma condição do acordo. O acordo é um cessar-fogo. E não é um cessar-fogo unilateral. Isso significa que, se o Irão não conseguir controlar o Hezbollah e este grupo atacar os israelitas, Israel terá o direito de se defender e de responder”, explicou à imprensa um alto responsável da Administração de Donald Trump, sob condição de anonimato.
O movimento xiita libanês Hezbollah agradeceu a Teerão por ter insistido na inclusão do Líbano no acordo global com os Estados Unidos.
O grupo libanês, apoiado pelo Irão, afirmou estar “profundamente grato” ao aliado pela “posição constante ao lado do Líbano, do povo e da resistência, bem como pela insistência em que o Líbano seja parte integrante de qualquer acordo que conduza a um cessar-fogo”, de acordo com um comunicado.
O Irão, através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, afirmou que os EUA devem garantir que Israel se compromete a pôr fim à guerra no Líbano.
“Os Estados Unidos devem honrar os compromissos. Devem assegurar-se de que o regime sionista [Israel] também cumpre os compromissos relativamente ao Líbano”, disse Esmail Baghaei durante uma conferência de imprensa.
Antes do anúncio do acordo entre Washington e Teerão, a FINUL registou 135 violações do espaço aéreo libanês por parte de Israel.
Durante o fim de semana, a missão observou 1.374 trajetórias de projéteis, dos quais 1.328 foram atribuídos a Israel e o restante a atores não estatais, presumivelmente o Hezbollah.
Desde o início das hostilidades entre Hezbollah e Israel em 02 de março, cerca de 3.800 pessoas morreram no Líbano, enquanto mais de um milhão foram deslocadas.
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