
Jerusalém, 11 jan 2024 (Lusa) — O exército de Israel disse na quarta-feira que dois jornalistas da televisão Aljazeera do Qatar mortos num ataque na Faixa de Gaza eram “agentes terroristas” afiliados no movimento islamita palestiniano Hamas e na Jihad Islâmica.
Hamza al-Dahdouh e Mustafa Thuraya, que trabalharam para vários meios de comunicação internacionais, foram mortos no domingo quando o carro em que viajavam foi alvejado em Rafah, no sul do enclave palestiniano, enquanto trabalhavam para a Aljazeera.
“Antes do ataque, os dois pilotavam drones que representavam uma ameaça iminente à s tropas israelitas”, disseram as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), em comunicado.
Questionado pela agência de notÃcias France-Presse sobre o tipo de drones utilizados e a natureza da ameaça, as IDF responderam que iriam examinar este ponto.
“Hamza al-Dahdouh e Mustafa Thuraya [foram] identificados como agentes terroristas de Gaza”, referiu o exército no comunicado.
“A inteligência militar confirmou que os dois mortos eram membros de organizações terroristas baseadas em Gaza e ativamente envolvidos em ataques contra as forças israelitas”, acrescentou a nota.
As IDF disseram que Thuraya era “membro da brigada do Hamas na cidade de Gaza, vice-comandante de um esquadrão do batalhão al-Qadisiyyah”.
Dahdouh foi descrito no comunicado como um “terrorista da Jihad Islâmica que esteve envolvido nas atividades terroristas da organização”.
“Documentos encontrados pelo exército israelita na Faixa de Gaza revelam o seu papel na unidade de engenharia eletrónica da Jihad Islâmica, bem como o seu papel anterior como vice-comandante” da célula responsável pelos foguetes, referiu o documento.
Na quarta-feira à noite, o Hamas descreveu as acusações “contra estes dois jornalistas” como “vagas” e “falsas”.
De acordo com a organização não-governamental Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), 79 jornalistas, a maioria dos quais palestinianos, foram mortos durante a cobertura da guerra, iniciada há três meses.
O CPJ registou também 16 jornalistas feridos, três desaparecidos e 21 detidos.
A guerra começou depois de o Hamas ter efetuado um ataque em solo israelita em 07 de outubro, que causou cerca de 1.200 mortos e duas centenas de reféns, segundo as autoridades.
A resposta israelita provocou um elevado nÃvel de destruição de infraestruturas na Faixa de Gaza e uma crise humana de consequências imprevisÃveis, com o Hamas a registar mais de 23 mil mortos pelos bombardeamentos de Israel.
O Tribunal Penal Internacional incluiu os crimes contra jornalistas no seu inquérito sobre a guerra na Faixa de Gaza, anunciou na quarta-feira o procurador à frente da investigação.
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