
Madrid, 05 dez 2023 (Lusa) — A Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA, na sigla inglesa) lamentou e denunciou hoje a morte de 130 trabalhadores da instituição na sequência da ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza.
Numa mensagem na conta pessoal na rede social X (ex-Twiter), o comissário-geral da agência, Philippe Lazzarini, disse que “entre os inúmeros civis, mulheres e crianças mortos na guerra” estão “confirmados 130 colegas da UNRWA”.Â
“Ninguém é poupado, é uma tragédia humana devastadora e interminável”, disse Lazzarini, pouco depois de o exército israelita ter começado a instar as pessoas a abandonarem a parte oriental da cidade de Khan Younis, no sul de Gaza, onde os militares israelitas já estão destacados.
O exército israelita descreveu agora a zona como “muito perigosa” para os civis, depois de ter efetuado uma incursão terrestre no norte e de ter pedido aos civis para se deslocarem para o sul da Faixa de Gaza, tal como denunciado pela UNRWA.
“Dizem à s pessoas para se deslocarem para Rafah para receberem ajuda, mas nós não podemos ajudar milhares de pessoas recentemente deslocadas internamente”, disse o chefe da UNRWA em Gaza, Thomas White, referindo-se ao crescente afluxo de pessoas para a zona próxima da fronteira com o Egito.
No entanto, a própria agência alertou que, mesmo em Rafah, “para onde as pessoas estão a ser forçadas a deslocar-se, há bombardeamentos ocasionais todos os dias”.Â
“As pessoas estão a pedir ajuda para saber onde se podem sentir mais seguras. Já não há um lugar seguro para onde ir porque simplesmente não há para onde ir [na Faixa de Gaza]. As pessoas que foram obrigadas a deslocar-se várias vezes estão agora a ser pressionadas a mudar-se para uma área minúscula no sul, na sequência de ordens de retirada. O que se segue?”, lamentou a diretora de comunicação da UNRWA, Juliette Touma.
 A guerra entre Israel e o Hamas em Gaza começou a 07 de outubro, na sequência de um ataque surpresa do grupo islamita – classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia e Israel – em território israelita que fez mais de 1.200 mortos e mais de 240 reféns levados para a Faixa de Gaza.Â
Até à data, 122 reféns permanecem no enclave, bem como os corpos de outros 15 reféns confirmados como mortos.
Entretanto, os bombardeamentos israelitas já mataram cerca de 15.900 pessoas em Gaza, a maioria das quais mulheres e crianças. As autoridades estimam que há mais de 7.000 desaparecidos sob os escombros, pelo que o número de mortos pode ser muito superior.
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