
Jerusalém, Israel, 08 abr 2025 (Lusa) — O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, admitiu hoje uma opção militar contra o Irão caso se arrastem as negociações com os Estados Unidos, anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o programa nuclear iraniano.
“Concordámos que o Irão não terá armas nucleares. Isto pode ser conseguido através de um acordo, mas apenas se for um acordo ao estilo da LÃbia: que entremos, destruamos as instalações, desmontemos todo o equipamento, sob supervisão e execução americanas”, declarou Netanyahu numa mensagem vÃdeo, um dia depois de se ter reunido com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.
A segunda alternativa coloca-se caso os dirigentes iranianos “simplesmente prolonguem as discussões, e então a opção militar torna-se na única escolha”, prosseguiu o chefe do Governo israelita no vÃdeo, gravado antes de embarcar para o seu regresso a Jerusalém.
As conversações sobre o programa nuclear iraniano vão iniciar-se no sábado, com Omã como mediador, anunciou Teerão na segunda-feira à noite, pouco depois de o Presidente norte-americano ter afirmado que as negociações seriam diretas.
O chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araqchi, defendeu hoje que o importante nas negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano é que sejam eficazes, e não se são diretas ou indiretas.
Araqchi anunciou que irá liderar a delegação iraniana e que a delegação norte-americana será chefiada pelo enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff.
O ministro iraniano insistiu que o importante é que exista uma “vontade real da outra parte” de chegar a um acordo, referindo-se aos Estados Unidos, e que uma negociação indireta “pode garantir uma conversa real e eficaz”.
Disse ainda que o principal objetivo iraniano é o levantamento das sanções económicas dos Estados Unidos.
Durante o seu primeiro mandato na Casa Branca, Trump retirou os Estados Unidos de um acordo nuclear com o Irão em 2018, três anos depois de ter sido alcançado pela administração de Barack Obama.
O acordo envolvia também a China, a França, a Rússia, o Reino Unido e a Alemanha e limitava o programa nuclear do Irão em troca do levantamento das sanções económicas.
Com a saÃda do acordo, Trump restabeleceu as sanções contra a República Islâmica.
O Irão e os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980, mas trocam informações indiretamente através da embaixada suÃça em Teerão, que representa os interesses norte-americanos.
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