Irão: Turistas portugueses têm de ter paciência e aguardar por voos comerciais – secretário de Estado

Redação, 03 mar 2026 (Lusa) – O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas disse hoje à Lusa que os turistas portugueses retidos devido ao conflito no Médio Oriente têm de ter paciência e aguardar pela retoma dos voos comerciais. 

Emídio Sousa explicou que o Governo compreende que as pessoas querem regressar, mas ressalvou que há condicionamentos e cancelamentos de voos comerciais, nomeadamente de ligação, em regiões como os Emirados Árabes Unidos, mas que as pessoas, neste momento, “têm de ter alguma paciência”.

O Governante frisou que os voos estão a ser retomados e que as pessoas terão de aguardar.

A Lusa foi contactada por turistas nas Maldivas que acusam o Governo de resposta insuficiente e garantem que são poucos os voos comerciais disponíveis, que já estão lotados.

Questionado sobre se há a possibilidade de repatriamento, Emídio Sousa frisou que este está a ser preparado para os turistas na região do Médio Oriente, nomeadamente Israel, mas que estes encargos serão pagos pelos próprios repatriados. 

“Tem de haver alguma paciência e compreensão nesta situação excecional”, pediu.

Por fim, reiterou que a rede consular deve ser contactada, mas que há que aguardar que as companhias e agências de viagens formalizem percursos alternativos.

A agência Lusa foi contactada por um grupo de turistas portugueses nas Maldivas que afirma não saber como regressar a Portugal devido ao fluxo de voos comerciais, com escala nos Emirados Árabes Unidos, cancelados após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão e à retaliação de Teerão na região do Golfo Pérsico.

“Eu já contactei as autoridades portuguesas, no caso o consulado em Nova Dei [na Índia], por email, pois por telefone não atendem, mas, na verdade, as respostas que deram foram ou inconclusivas ou eu diria que praticamente não foram úteis”, contextualizou à Lusa, por telefone, Flávio Ribeiro, que está nas Maldivas.

A resposta consular foi a de procurarem voos comerciais com outros destinos, no entanto, Flávio frisou que este tipo de voos, que partem da capital, Malé, estão “completamente lotados”.

Flávio lamentou também ter ouvido o primeiro-ministro, Luís Montenegro, dizer na televisão que “nenhum português ficava para trás”, afirmando que é precisamente assim que ele e a sua família se sentem.

Além da questão de não existirem voos comerciais para a região do Golfo Pérsico – uma escala para o regresso a Portugal – os hotéis estão também lotados e muitos portugueses estão a ficar retidos no aeroporto da capital, lamentou.

O advogado Pedro Marinho Falcão, de férias no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também critica as autoridades portuguesas.

“Eu e outros portugueses aqui no Dubai enfrentamos a incapacidade de arranjar meios de transporte para sair do Dubai com destino a Portugal e, sobre essa matéria, as embaixadas não nos dão nenhuma informação (…) E aquilo que nós portugueses, que estamos aqui e sentimos, é que não há, do ponto de vista do Estado português, nenhuma resposta ao problema”, lamentou o advogado. 

“Estamos totalmente abandonados. Temos uma comunicação que é feita através do WhatsApp comunitário da Embaixada portuguesa, mas as informações que nos dão são genéricas, e eu permiti-me enviar uma mensagem para esse WhatsApp, e recebi uma resposta genérica: ‘consulte o nosso canal de comunicação'”, frisou.

Na sua opinião, o Estado português não tem soluções para quem quer sair do Dubai e o Governo já devia ter acionado mecanismos.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.

Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.

 

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