
Teerão, 19 abr 2026 (Lusa) – O Irão não planeia, neste momento, participar em novas negociações com os Estados Unidos, que tinham anunciado o envio de uma equipa de negociação para o Paquistão, noticiou hoje a televisão estatal iraniana.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, que liderou a delegação em Islamabad em 11 de abril para discussões com o objetivo de alcançar um fim duradouro para a guerra no Médio Oriente, deverá chegar à capital do Paquistão na noite de segunda-feira, de acordo com o presidente Donald Trump.
Três dias antes do fim do cessar-fogo, a televisão estatal iraniana (IRIB) indicou que “não há atualmente planos para participar na próxima ronda de negociações Irão-EUA”, citando fontes do regime islâmico.
O Presidente iraniano, Masud Pezeshkian, questionou a disponibilidade dos EUA para negociar, apesar do anúncio do envio de uma delegação ao Paquistão para uma nova ronda de conversações e advertiu que suspeita cada vez mais que esta possa ser uma manobra para encobrir um novo ataque.
Em concreto, Pezeshkian condenou o “comportamento ilógico” nas negociações e durante o cessar-fogo, que, segundo ele, são agravados pelo bloqueio naval e pela “retórica ameaçadora das autoridades norte-americanas contra o Irão”, de acordo com declarações feitas pelo Presidente iraniano durante uma conversa com o primeiro-ministro paquistanês, Shahbaz Sharif.
“Tais ações (…) servem apenas para questionar ainda mais a seriedade” da disponibilidade de Washington para negociar e “deixam cada vez mais claro que os EUA estão a tentar repetir o seu padrão passado e a trair a diplomacia”, argumentou, referindo-se ao ataque surpresa ao Irão em 28 de fevereiro, que ocorreu durante as negociações em curso entre as partes.
Pezeshkian expressou a sua gratidão a Sharif pelos seus esforços de mediação e enfatizou a “determinação do Irão em defender a nação contra novas aventuras dos EUA e do regime sionista”. Também alertou para as “consequências e implicações” deste potencial ataque para a segurança regional e global.
Além disso, Pezeshkian manifestou o desejo do Irão de manter boas relações com todos os seus vizinhos, “incluindo os países da costa sul do Golfo Pérsico”, com base no princípio do respeito mútuo.
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