Irão: Presidente do México diz que a ONU perde cada vez mais força

Cidade do México, 02 mar 2026 (Lusa) — A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse hoje que a ONU perde “cada vez mais força” e deixou de cumprir a missão, porque se impõem os países “com maior força militar”, referindo-se ao conflito no Irão.

“A ONU deixou de cumprir o seu trabalho, na verdade. Impõem-se os países com maior força militar. E isto não pode ser (…) Hoje estamos a viver uma situação em que a ONU cada vez perde mais força”, afirmou a mandatária mexicana durante a sua conferência de imprensa diária na Cidade do México.

Face à escalada bélica no Médio Oriente, Sheinbaum pediu que se recupere o papel da “política diplomática multilateral”, já que, na sua opinião, “quem paga as consequências” da guerra é a população civil.

A governante defendeu que a questão não é “estar de acordo com um regime ou outro”, porque “quem sofre” são os cidadãos: “Por isso, apelo para que se alcance uma solução pacífica, para evitar as guerras”

“É o respeito pela autodeterminação e essa é a declaração das Nações Unidas. Não só é a nossa Constituição, como está na Carta das Nações Unidas e na sua formação, a autodeterminação dos povos. Então, respeito pela autodeterminação dos povos”, sublinhou.

Sheinbaum acrescentou que se há “violação dos direitos humanos”, em algum país, a solução deverá encontrar-se no plano multilateral e não “a partir de invasões ou guerras”.

“Esta é a nossa posição, sempre foi esta a nossa posição. E é sempre procurar a solução pacfíca”, insistiu, ao recordar que esta postura está plasmada no texto constitucional do México.

Questionada sobre se os Estados Unidos podem acolher o Mundial depois dos ataques contra o Irão, respondeu que esse é “outro tema”, porque o objetivo do torneio é fomentar a “comunicação entre os povos” e que o desporto “leve à paz”.

“O que se procura com as Olimpíadas, com os mundiais, é enaltecer a relação pacífica dos povos e dos governos. Há que avançar para isso, sempre”, concluiu.

Após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de grande parte da cúpula militar, o Irão prometeu vingar-se e ameaçou responder com a maior força.

Durante o fim de semana não pararam os bombardeamentos na região.

Teerão está a responder aos bombardeamentos dos EUA e de Israel com ataques contra Telavive, Jerusalém e bases militares norte-americanas em vários países da região.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.

Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano.

O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de três militares norte-americanos.

AH // APN

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