Nações Unidas, Nova Iorque, 20 fev 2026 (Lusa) – O secretário-geral da ONU encorajou hoje Estados Unidos e Irão a continuarem a dialogar para resolver as divergências, expressando preocupação com a intensificação da retórica e da presença militar na região do Médio Oriente.
“Posso afirmar e reiterar mais uma vez que estamos muito preocupados com a intensificação da retórica na região, devido ao aumento das atividades militares, dos exercícios militares e da crescente presença naval militar na região”, afirmou o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, na conferência de imprensa diária, em Nova Iorque.
“Encorajamos quer os Estados Unidos, quer a República Islâmica do Irão a continuarem a dialogar para resolver as divergências”, sublinhou.
A missão permanente do Irão na ONU alertou que Teerão vai responder “de forma decisiva e proporcional” a qualquer agressão militar, destacando que os Estados Unidos vão arcar com “total e direta responsabilidade” pelas consequências, de acordo com uma carta endereçada a António Guterres e à presidência do Conselho de Segurança da ONU.
“A República Islâmica do Irão declarou repetidamente, no mais alto nível, que não procura tensão nem guerra e não iniciará nenhuma guerra”, de acordo com a carta.
“No entanto, caso seja alvo de agressão militar, o Irão responderá de forma decisiva e proporcional, exercendo o seu direito inerente de autodefesa, conforme o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas”, acrescentou.
Dujarric confirmou a receção da missiva e indicou que foi remetida ao Conselho de Segurança e à Assembleia-Geral da ONU, conforme solicitado pela missão iraniana.
A missão alertou que “todas as bases, instalações e ativos da força hostil na região constituiriam alvos legítimos no contexto da resposta defensiva do Irão”.
A carta, que instava a ONU a agir imediatamente, dizia: “O Conselho de Segurança e o secretário-geral devem agir sem demora, antes que seja tarde demais”.
Na quinta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, deu um prazo de 10 dias para a situação no Irão “se esclarecer”, depois de ter mantido, esta semana, conversas indiretas sobre o programa nuclear, e ter pedido a Teerão para “chegar a um acordo significativo” para evitar que “coisas más aconteçam”.
Teerão e Washington realizaram várias rondas de negociações em Omã e na Suíça, mas as tensões têm aumentado, sobretudo depois de os Estados Unidos terem ordenado um aumento da presença militar no Médio Oriente.
Trump, que inicialmente ameaçou com intervenção militar devido à repressão dos recentes protestos no Irão, mudou posteriormente o foco dos avisos para o programa nuclear iraniano, que as autoridades iranianas afirmam ser exclusivamente para fins pacíficos.
Nos últimos dias, os Estados Unidos enviaram para o Médio Oriente um destacamento militar que pode ser usado numa campanha de ataques contra o Irão.
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