Irão: Funerais e mensagens de vingança em Teerão no 47.º aniversário da revolução

Teerão, 01 abr 2026 (Lusa) — Milhares de iranianos assistiram hoje em Teerão ao funeral do ex-comandante da Marinha dos Guardas da Revolução Alireza Tangsiri, abatido num ataque israelita, com mensagens e pedidos de vingança.

O cortejo fúnebre realizou-se no dia do 47.º aniversário da República Islâmica, proclamada a 01 de abril de 1979, na sequência da revolução que derrubou o último xá Mohammad Reza Pahlavi, pondo fim a mais de 2.500 anos de monarquia.

No 33.º dia do conflito que incendiou o Médio Oriente, apoiantes do regime encheram a praça Enghelab (Revolução), no coração da capital, onde foi hasteada uma enorme bandeira.

A multidão entoava palavras de ordem em coro, como: “Deus é grande, Khamenei é o guia supremo” (Allah Akbar, Khamenei Rahbar).

Muitos iranianos vieram prestar homenagem a familiares mortos durante o conflito, empunhando cartazes com rostos.

O cortejo que transportava o caixão do comandante Alireza Tangsiri tentava abrir caminho. Este responsável, considerado o arquiteto do bloqueio do estratégico estreito de Ormuz, era um dos militares mais conhecidos do grande público.

Este dia, tradicionalmente feriado, assume uma importância particular, num momento em que o regime islâmico joga a sobrevivência, bombardeado incessantemente desde 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel.

Estes dois inimigos jurados do Irão pretendiam inicialmente derrubar o regime. Num mês de guerra, os ataques mataram o guia supremo Ali Khamenei, no poder há 36 anos, e numerosos altos comandos iranianos.

Nas ruas de Teerão, retratos do falecido dirigente e do filho Mojtaba, sucessor que não se mostrou publicamente desde que foi nomeado, são omnipresentes.

Apesar das perdas sofridas, o sistema de governação mantém-se e o país conserva a capacidade de disparar mísseis e lançar drones contra os vizinhos e Israel.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse que o Irão pediu um cessar-fogo, mas Washington só considera uma suspensão das hostilidades após a reabertura do estreito de Ormuz, por onde normalmente circula um quinto da produção mundial de petróleo, bem como gás natural liquefeito.

Teerão já desmentiu categoricamente estar a negociar com os Estados Unidos.

 

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