
Washington, 01 mar 2026 (Lusa) — O filho mais velho e herdeiro do xá iraniano deposto em 1979 pela Revolução Islâmica, Reza Pahlavi, afirmou num editorial publicado este sábado pelo The Washington Post que pretende assumir um papel no processo de transição no Irão.
“Muitos iranianos, muitas vezes apesar das balas, pediram-me para liderar esta transição. Estou impressionado com a sua coragem e respondi ao seu apelo”, escreve Pahlavi no jornal norte-americano.
“O nosso caminho a seguir será transparente: uma nova Constituição redigida e ratificada por referendo, seguida de eleições livres sob supervisão internacional. Quando os iranianos votarem, o governo de transição será dissolvido”, detalhou.
Pahlavi tem criticado o governo iraniano dos últimos 47 anos e agora agradece ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por ter dado a ordem dos bombardeamentos, que atingiram a república islâmica e decapitaram o regime do aiatola Ali Khamenei, através da sua própria morte, para além da morte de outros líderes próximos, como a do general chefe da Guarda da Revolução e a do secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamjani.
O filho de Reza Pahlavi elogia no artigo toda a trajetória que Trump, desde o seu primeiro mandato, tem desenvolvido como Presidente em relação ao Irão, começando pela retirada do “acordo nuclear irresponsável” de 2015, seguida da campanha de sanções contra Teerão ou a eliminação, em 2020, do então comandante da Força Quds da Guarda da Revolução, Qasem Soleimani.
“Mesmo com a ajuda dos EUA e de Israel, a vitória final será forjada pelo povo iraniano. São os soldados no terreno”, escreveu.
Pahlavi diz ainda que o “renascimento” do Irão “marcará o início de uma era de paz e prosperidade” e que “o Irão não é o Iraque”.
“Não repetiremos os erros que se seguiram a esse conflito [do Iraque]. Não haverá dissolução das instituições, nem vazio de poder, nem caos”, escreve o herdeiro do xá, garantindo que, “precisamente por isso”, defende desde o ano passado o chamado “Projeto de Prosperidade do Irão”, um plano político e económico nacional para instaurar um governo provisório de transição após a queda dos aiatolas.
O ativista iraniano garante que “este roteiro detalhado para a recuperação nacional” inclui um plano para “os primeiros 100 dias após o colapso do regime e a reconstrução e estabilização a longo prazo” do país e “conta com o apoio de numerosos líderes empresariais de todo o mundo”.
“Um Irão democrático transformaria o Médio Oriente, convertendo uma das fontes de agitação mais persistentes do mundo num pilar da estabilidade regional”, afirma ainda Pahlavi, que elogia os acordos “históricos” de Abraham, impulsionados por Trump no seu primeiro mandato, para normalizar as relações entre Israel e vários países árabes.
“Um Irão livre ampliaria esse avanço, ao reconhecer imediatamente Israel e ao procurar um quadro de paz regional mais amplo”, afirma Pahlavi.
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