
Braga, 02 mar 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS defendeu hoje que o primeiro-ministro deve informar o país sobre os termos em que foi autorizada a utilização, pelos Estados Unidos da América, da base das Lajes, nos Açores, para o ataque ao Irão.
Em declarações aos jornalistas em Braga, à margem de uma reunião com militantes para apresentar a sua recandidatura a secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, desafiou também o Governo a explicitar de que modo os portugueses estão a ser protegidos e serão repatriados caso o conflito atinja proporções mais graves.
“Eu entendo que o primeiro-ministro deve informar o país sobre os termos em que foi autorizada a utilização da base das Lajes, como, aliás, certamente ouviram também o primeiro-ministro inglês a explicitar os termos em que a Inglaterra se colocava numa solução de apoio aos Estados Unidos, aos países aliados dos Estados Unidos da América, para salvaguardar os termos em que a intervenção é feita”, referiu.
Para o líder socialista, Luís Montenegro deve informar particularmente o parlamento.
“Na quarta-feira, há um debate com o primeiro-ministro, um debate quinzenal, eu próprio pretendo colocar-lhe as questões adequadas, de forma a que possa informar o povo português dos termos em que foi autorizada a utilização da base das Lajes. A informação que nos foi dada é que a autorização foi concedida ao abrigo do acordo que temos com os Estados Unidos”, acrescentou.
O líder socialista considerou que o parlamento deve fazer o “devido escrutínio” do Governo, que por sua vez deve prestar “a informação pública necessária à garantia de que os termos da sua utilização ocorrem no âmbito desse mesmo acordo”.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
Para José Luís Carneiro, as forças e as capacidades do Irão para “intervir e desestabilizar toda a região existem, o que significa que a intervenção dos Estados Unidos visa efetivamente limitar as possibilidades de desestabilização”.
“Mas aquilo que nós dizemos é que qualquer intervenção deve ser feita ao abrigo do mandato das Nações Unidas. Não está em causa a natureza do regime iraniano, que é um regime que tem contribuído para a instabilização da região. O importante é que se evite a escalada [do conflito], defendeu, vincando a necessidade de exigir às partes que procurem retomar a via diplomática.
Em relação aos portugueses que se encontram na zona do conflito, o secretário-geral do PS disse que é “muito importante” que o Governo explicite o modo como estão a ser protegidos e como serão repatriados, em caso de escalada.
“Essa é uma das áreas em que o Governo deve dar explicações à Assembleia da República, os termos em que o apoio ao regresso desses portugueses está a ser garantido e acautelado, esse é um dever de proteção dos portugueses”, referiu.
Aludiu, concretamente, a vários portugueses que estavam sobretudo no Dubai, que não tinham voos garantidos e que estavam a observar uma progressiva instabilização política e militar da região.
“O Governo deve explicar à Assembleia da República o que é que está a fazer para proteger esses cidadãos nacionais”, instou.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano.
O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989, e decretou um período de luto de 40 dias.
O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de três militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.
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