
Praia, 25 mar 2026 (Lusa) — O conflito no Médio Oriente está a levar os cabo-verdianos a comprar mais gás, com filas e falta de botijas nalguns postos, mas não há problemas de abastecimento ao arquipélago, anunciou hoje uma das empresas distribuidoras.
“Não existem, neste momento, razões para alarme. O aprovisionamento de gás butano no país decorre com normalidade, encontrando-se assegurados os reabastecimentos junto dos fornecedores internacionais”, referiu a Vivo Energy Cabo Verde, em comunicado, indicando que “a perceção de escassez tem sido influenciada pelo contexto geopolítico internacional”.
A situação levou a “um aumento anormal da procura nalgumas ilhas”.
“Ainda que compreensível, esta perceção tem impacto direto no funcionamento eficiente da cadeia de distribuição nacional”, pelo que a empresa “apela a um consumo responsável, ajustado às necessidades reais de cada agregado familiar e operador económico”.
“Estão em curso medidas para reforçar a eficiência da distribuição e garantir a reposição gradual da normalidade em todo o território nacional”, concluiu.
Na terça-feira, a Associação para a Defesa do Consumidor de Cabo Verde (ADECO) defendeu melhorias na comunicação e distribuição de gás entre ilhas.
“Já vimos [falta de gás butano] nas ilhas de São Nicolau, Fogo, Boa Vista, depois chegou a Santo Antão e mais recentemente a São Vicente. A logística da distribuição não está a ser integralmente cumprida, daí a situação de aparente rutura”, afirmou o presidente da associação, Nelson Faria, em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV).
Em 26 de fevereiro, a Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) assegurou que o armazenamento de gás butano é suficiente para garantir o abastecimento do país, apesar de constrangimentos logísticos pontuais nalgumas ilhas.
A reguladora confirmou ainda ter recebido denúncias de alegado açambarcamento e venda acima do preço fixado, sobretudo na ilha do Fogo, sublinhando que tais práticas são ilegais e estão a ser investigadas em articulação com as autoridades competentes.
No dia 04 de março, o diretor-geral da petrolífera Enacol, Luís Flores, garantiu que o abastecimento de combustíveis está assegurado e que Cabo Verde não tem exposição direta à instabilidade no Irão, explicando que o país é abastecido sobretudo por refinarias da costa ocidental africana e da Europa Ocidental.
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