
Nova Iorque, 19 dez 2023 (Lusa) — O Reino Unido, a França e a Alemanha acusaram na segunda-feira o Irão de desenvolver e testar mÃsseis balÃsticos, transferir centenas de drones para a Rússia e enriquecer urânio, em violação de resoluções da ONU.
O Irão e o seu aliado, a Rússia, rejeitaram as acusações dos três paÃses europeus, que mereceram o apoio dos Estados Unidos. Washington retirou-se em 2018 de um acordo assinado três anos antes, que visava garantir que Teerão não pudesse desenvolver armas atómicas.
Nos termos do acordo, o Irão prometeu limitar o enriquecimento de urânio apenas aos nÃveis necessários para a utilização em centrais nucleares, em troca do levantamento de sanções económicas.
As acusações foram feitas numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a implementação de uma resolução que apoiava o acordo nuclear de 2015.
Tanto o embaixador do Irão na ONU, Amir Iravani, como o embaixador da Rússia, Vassily Nebenzia, culparam a retirada dos Estados Unidos do acordo, as sanções ocidentais e uma posição “anti-Irão” pelo atual impasse.
Iravani disse que o Irão está autorizado a enriquecer urânio para fins pacÃficos ao abrigo do Tratado de Não Proliferação Nuclear, e Nebenzia rejeitou alegadas provas de que a Rússia está a utilizar drones iranianos Shahed na Ucrânia.
Após a retirada dos EUA do acordo, uma decisão do então Presidente Donald Trump, o Irão tem vindo a subir os nÃveis de enriquecimento de urânio até 60%, próximo do nÃvel necessário para equipar armas atómicas, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
Na reunião de segunda-feira, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos PolÃticos e de Consolidação da Paz sublinhou que o secretário-geral da organização, António Guterres, ainda considera o acordo “a melhor opção disponÃvel para garantir que o programa nuclear iraniano permaneça exclusivamente pacÃfico”.
Rosemary DiCarlo instou o Irão a inverter o rumo, tal como fizeram os três paÃses europeus que emitiram uma declaração conjunta citando a AIEA e afirmando que as reservas de urânio enriquecido do Irão são 22 vezes superiores ao limite fixado no acordo de 2015.
“Não há qualquer justificação civil credÃvel para o estado do programa nuclear do Irão”, afirmaram Reino Unido, França e Alemanha. “A trajetória atual apenas aproxima o Irão das capacidades relacionadas com armas”, acrescentaram.
O Irão está sujeito a um grande número de sanções impostas por vários governos e organizações internacionais, que acusam o paÃs de apoiar o terrorismo e de atacar navios norte-americanos no Golfo Pérsico.
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