
Paris, 17 fev 2026 (Lusa) – Manifestantes no Irão entoaram hoje palavras contra o regime em protestos organizados em várias cidades do país em homenagem os manifestantes mortos durante as manifestações de janeiro, avança a AFP.
Num vídeo geolocalizado pela AFP em Abadan (oeste), divulgado nas redes sociais, uma multidão empunha flores e retratos de um jovem gritando “morte a Khamenei” — o líder supremo da República Islâmica — ou “vida longa ao Xá” — em apoio à monarquia derrubada em 1979.
Duas outras ocorrências, na mesma cidade, mostram uma multidão em pânico a fugir enquanto se ouvem explosões.
Nas ruas de Machhad (norte do país), uma multidão também gritava “Uma pessoa morta, milhares atrás dela”.
As organizações não governamentais (ONG) de defesa dos direitos humanos estimam que pelo menos 7.000 pessoas, na sua maioria manifestantes foram mortos durante a repressão do movimento de protesto que desafiou o poder iraniano no início de janeiro.
As autoridades, por seu lado, contabilizaram 3.000 mortos, segundo elas, na sua maioria membros das forças de segurança.
As autoridades organizaram uma cerimónia religiosa hoje na grande mesquita Mosalla, em Teerão, para marcar o quadragésimo dia após as mortes, de acordo com a tradição xiita de luto.
No local, uma multidão empunhava bandeiras iranianas e retratos das vítimas, ao som de cânticos nacionalistas e frases como “Morte à América” e “Morte a Israel”.
Estavam presentes, nomeadamente, o primeiro vice-presidente, Mohammad Reza Aref, e o general Esmaïl Qaani, responsável pela Força Qods, o ramo de operações externas dos Guardas da Revolução, o exército ideológico da República Islâmica.
“Aqueles que apoiaram os revoltosos e os terroristas são criminosos e terão de assumir as consequências”, reafirmou Qaani, citado pela agência de notícias Tasnim.
O Irão e os Estados Unidos concluíram hoje, perto de Genebra, uma segunda sessão de negociações num contexto ainda muito tenso, após semanas de troca de ameaças entre as duas partes.
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