
Redação, 06 jun 2024 (Lusa) — A Infraestruturas de Portugal vai investir 316 milhões de euros até 2030 num plano para que seja mais seguro atravessar passagens de nÃvel, alertando que a redução da sinistralidade depende sobretudo do cumprimento das regras de segurança pelos utentes.
Por ocasião do 16º Dia Internacional para a Segurança em Passagens de NÃvel, que hoje se assinala, a Infraestruturas de Portugal (IP), empresa pública que faz a gestão da rede rodoviária e ferroviária, divulgou que está a desenvolver um plano de intervenção nas passagens de nÃvel, com o objetivo reduzir os acidentes naqueles locais para menos de 10 por ano até 2030.
Em 2023 foram registados 22 acidentes, que causaram oito vÃtimas mortais, e globalmente os números tem decrescido desde 1999, ano em que começaram a ser adotadas medidas para minimizar os riscos e durante o qual ocorreram 156 acidentes em passagens de nÃvel, causando 38 mortes.
“É uma redução significativa, mas enquanto uma pessoa morrer numa passagem de nÃvel, não podemos estar satisfeitos”, disse, em entrevista à Lusa, António Viana, diretor da Estrutura de Missão para a Redução da Sinistralidade na IP.
O plano prevê o reforço da segurança, com a supressão de 135 passagens de nÃvel consideradas de maior risco e a reclassificação de outras 237, com aposta na automatização e outros métodos que impeçam ou dificultem contornar as barreiras, além do recurso a tecnologias como o vÃdeo, “para detetar e sancionar o incumprimento”.
O investimento previsto neste plano é de 316 milhões de euros.
“Todas as passagens de nÃvel rodoviárias da Linha do Norte serão suprimidas e ficarão quatro passagens de nÃvel pedonais, para as quais, neste momento, ainda não se encontrou a solução, mas que pode vir a ser encontrada”, adiantou, destacado que as passagens de nÃvel em vias múltiplas são onde há maior risco para o atravessamento.
Em Portugal existem atualmente 810 passagens de nÃvel quando em 1999 existiam cerca de 2.500.
Nestes 25 anos já foram gastos cerca de 400 milhões de euros em alterações nestas passagens de nÃvel, como na sinalização, em supressões e na construção de passagens desniveladas.
O comportamento de risco é a principal causa dos acidentes. Tal como acontece na maior parte dos paÃses, “também em Portugal, cerca de 50% dos acidentes ocorrem em passagens de nÃvel que têm proteção ativa”.
“Ou seja, têm sinalização ou têm barreira. E isso porquê? Porque há um desrespeito pelas regras de segurança. A pressa, a não valorização do risco, a distração são fatores que levam as pessoas a atravessar, indevidamente, as passagens de nÃvel e, disso, podem resultar acidentes”, afirmou.
Por isso, a educação e a sensibilização para mudanças nos comportamentos de risco das pessoas é outra das apostas da IP, porque há a consciência de que nenhum plano de supressão e reclassificação de passagens de nÃvel será eficaz sem mudar hábitos instalados.
“E isso é um desafio que tem que ser abraçado por mais entidades. Não pode ser só a IP a abraçar este desafio. As autarquias, as comunidades, as escolas, as forças policiais têm que fazer parte de todo este trabalho de prevenção, de sensibilização das pessoas, para que, efetivamente, consigamos mudar os hábitos”, considerou.
Para consciencializar os utentes que os comportamentos que adotam “são determinantes para evitar os acidentes”, a IP acompanha paÃses parceiros da União Internacional de Caminhos de Ferro (UIC) numa campanha de sensibilização para o risco de atravessamento das passagens de nÃvel.
Serão divulgados hoje materiais em diversos suportes que alertam para os perigos de atravessar a linha de comboio, nomeadamente um vÃdeo que reúne imagens de comportamentos de risco reais e que têm em comum a mensagem “Atenção aos comboios. A vida pode mudar numa fração de segundo”.
A UIC estima que no mundo existam mais de 500 mil passagens de nÃvel, 100 mil delas na Europa e, nestas 100 mil, ocorrem todos os anos cerca de mil acidentes, que resultam em 300 vÃtimas mortais.
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