Investimento global em armas nucleares aumenta 19% para valor recorde de 103 MME em 2025

Genebra, 09 jun 2026 (Lusa) – As nove potências nucleares reconhecidas gastaram um valor recorde de 118,8 mil milhões de dólares (103 mil milhões de euros) em armamento atómico no ano passado, um aumento de 19%, segundo um estudo hoje divulgado.

O trabalho realizado pela Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN), uma coligação de organizações da sociedade civil vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2017.

A coligação enfatizou que estes gastos alimentam o “atual cenário geopolítico perigoso”, no qual é amplamente reconhecido que o risco de utilização de armas nucleares em conflitos é o maior desde o fim da Guerra Fria.

“É inconcebível que estes nove países estejam a gastar milhares de milhões numa falsa promessa de segurança. As armas nucleares não podem ser utilizadas sem causar uma catástrofe”, alertou Susi Snyder, diretora de programas da ICAN e coautora do estudo, após a publicação do relatório.

Os Estados Unidos voltaram a liderar estes gastos, com uma soma superior à de todas as outras grandes potências juntas: 69,2 mil milhões de dólares (60 mil milhões de euros).

Segundo a ICAN, este montante seria suficiente para cobrir o atual orçamento das Nações Unidas durante 19 anos, uma organização que enfrenta graves restrições financeiras.

Os Estados Unidos registaram também o maior aumento das despesas, de 22%, seguidos pelo Paquistão (18%) e pelo Reino Unido (17%).

Em segundo lugar em termos absolutos ficou a China, com gastos em armas nucleares de 13,5 mil milhões de dólares (11,7 mil milhões de euros), seguida pelo Reino Unido, que, com 12,6 mil milhões de dólares (10,9 mil milhões de euros), ultrapassou a Rússia (9,5 mil milhões de dólares, ou 8,2 mil milhões de euros) em 2025.

Seguem-se a França (7,7 mil milhões de dólares, ou 6,7 mil milhões de euros), a Índia (2,8 mil milhões de dólares, ou 2,4 mil milhões de euros), o Paquistão (1,5 mil milhões de dólares, ou 1,3 mil milhões de euros), Israel (1,2 mil milhões de dólares, ou 1.000 milhões de euros) e a Coreia do Norte (656 milhões de dólares, ou 568 milhões de euros), segundo dados da ICAN.

A coligação que promove o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares realçou que a perspetiva a longo prazo não mostra sinais de redução destas despesas, com potências como os Estados Unidos, a França e o Reino Unido empenhadas em programas de rearmamento que, em alguns casos, se estendem até ao século XXII.

“Os nove Estados planeiam manter e modernizar as suas forças nucleares durante décadas, desviando milhares de milhões de dólares das reais necessidades da humanidade”, salientou Alicia Sanders-Zakre, diretora de políticas da ICAN e coautora do relatório.

A coligação calculou que, por exemplo, os gastos diários em arsenais nucleares poderiam tirar dois milhões de pessoas da insegurança alimentar.

O relatório aponta ainda que o setor privado lucrou pelo menos 38 mil milhões de dólares em contratos de armas nucleares, com a lista de beneficiários encabeçada pelas empresas norte-americanas Honeywell (5,27 mil milhões de dólares), Lockheed Martin (4,509 mil milhões de dólares), Fluor (3,842 mil milhões de dólares) e Northrop Grumman (3,166 mil milhões de dólares).

Na lista constam também multinacionais bem conhecidas de outros setores, como o consórcio europeu Airbus (783 milhões de dólares em receitas relacionadas com armas nucleares), a empresa norte-americana Boeing (635 milhões de dólares) e a britânica Rolls-Royce (1,557 mil milhões de dólares).

 

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