Investimento é a chave para ultrapassar a fragilidade de Moçambique – Presidente

Washington, 09 jun 2026 (Lusa) – O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu hoje que o investimento é a chave para ultrapassar a fragilidade e os principais problemas do país, como as alterações climáticas e o terrorismo, no norte do país.

“A fragilidade é real em Moçambique, com inundações, ciclones e conflito em Cabo Delgado; a solução é o investimento para empregar os jovens, porque jovens sem emprego representam uma grande fragilidade”, disse o chefe de Estado na intervenção de abertura do Fórum do Banco Mundial sobre Fragilidade, que começou hoje em Washington.

Numa conversa com o presidente do Banco Mundial, Daniel Chapo disse que “a paz e o desenvolvimento são a chave para o investimento do setor privado”, que considerou ser crucial para financiar o desenvolvimento do país.

“As pessoas em Moçambique querem saber como resolver a fragilidade”, apontou o governante, vincando que o país “tem muitos jovens sem emprego, que precisam de conhecimentos”, acrescentando que, “para combater a fragilidade, a chave é o investimento”.

No encontro com Ajay Banga, que no ano passado visitou Moçambique, Chapo passou em revista as principais reformas em curso neste país lusófono africano “para abrir o país para negócios” e destacou o setor da energia como um dos mais promissores, não só para fomentar a industrialização do país, mas também para exportação para os parceiros regionais.

“Temos ativos no setor energético, temos gás natural, mas daqui a 20 ou 30 anos acaba-se e por isso temos de diversificar, e no ano passado Ajay Banga foi a Moçambique ver os nossos ativos energéticos, que temos em quantidade suficiente para exportar para os nossos vizinhos”, disse Chapo, salientando que o gás não é só combustível, pode também ser usado para fazer fertilizantes e impulsionar o turismo, a logística e a industrialização.

Num debate marcado pela importância da criação de emprego para o desenvolvimento dos países, Ajay Banga salientou a necessidade de estruturar melhor e de forma mais abrangente o conceito de ajuda para o desenvolvimento, apostando em ecossistemas em vez de grandes investimentos num só setor ou indústria.

O Banco Mundial, afirmou, está a preparar um índice sobre fragilidade, para ajudar os países a anteciparem os problemas porque, concordaram ambos, é mais fácil investir na prevenção de questões graves do que suportar os custos mais elevados do financiamento na resolução das consequências da fragilidade.

O Grupo Banco Mundial prevê mobilizar 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) para Moçambique nos próximos cinco anos, ao abrigo do novo Quadro de Parceria (CPF), apostando na criação de emprego para haver crescimento económico.

“Ao concentrarmo-nos em corredores económicos e setores com elevado potencial de criação de emprego, como a energia, o agronegócio e o turismo, pretendemos mobilizar cerca de 2,5 mil milhões de dólares durante o período do CPF para ajudar Moçambique a transformar a sua riqueza natural em oportunidades tangíveis e melhores empregos, especialmente para os jovens e as mulheres”, disse esta entidade financeira em janeiro.

O programa do Banco Mundial para os próximos cinco anos em Moçambique prevê a mobilização de instrumentos de financiamento por parte das várias entidades do Grupo, incluindo garantias, apoio ao setor privado e serviços de consultoria para o lançamento de projetos no país.

A nova estratégia do Banco Mundial para este país africano lusófono “centra-se na energia, no agronegócio e no turismo, ao mesmo tempo que desenvolve uma força de trabalho qualificada, reforça a estabilidade macroeconómica e aborda a fragilidade”, para reforçar a estabilidade macroeconómica e orçamental, melhorar as competências da força de trabalho, expandir o acesso à energia e dinamizar os corredores económicos, e aumentar os empregos liderados pelo setor privado.

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