
Castelo Branco, 29 jun 2021 (Lusa) — As invasões francesas na Beira Baixa são o tema de espetáculos de teatro que vão decorrer em seis municÃpios desta Comunidade Intermunicipal, com inÃcio no sábado, em Oleiros.
Numa nota de imprensa, a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), que integra os municÃpios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão, refere que “a iniciativa contempla a criação de um espetáculo de teatro” em cada um destes concelhos.
“Embora o projeto tenha partido de um guião único, o resultado final é a apresentação de seis peças de teatro distintas, adaptadas à realidade de cada concelho e que contam com a participação de pessoas e entidades diferentes”, adianta a nota.
Segundo a CIMBB, “foi lançado o repto à s associações e comunidades locais para integrarem as produções artÃsticas deste projeto nos respetivos municÃpios, as quais corresponderam de forma positiva”.
Após “vários meses de ensaios”, as peças vão ser apresentadas em julho, com acesso gratuito, numa iniciativa que “pretende promover o intercâmbio e a itinerância dos públicos pelo conjunto dos seis municÃpios, motivados pela curiosidade e interesse em perceber a evolução que o projeto artÃstico sofreu em cada localidade onde será realizado”.
O primeiro espetáculo é apresentado às 21:00 de sábado, no auditório da Santa Casa da Misericórdia de Oleiros, estando prevista a transmissão em direto, deste e dos restantes, através das redes sociais. Seguem-se Proença-a-Nova (10 de julho), Idanha-a-Nova (17), Castelo Branco (18), Penamacor (23) e Vila Velha de Ródão (25).
O espetáculo parte de um texto original de Raquel Alves Coelho, também responsável pela direção artÃstica. O texto foi adaptado por Carlos Braz, Cláudio Gomes Pereira e Inês Basto, que têm a cargo a encenação e direção de atores. A coordenação executiva é de Catarina Coelho. Todos integram a empresa Sons & Ecos, contratada para a execução desta produção. Participam cerca de 80 pessoas dos seis concelhos.
À agência Lusa, Raquel Alves Coelho explicou que “este não é só um espetáculo, são vários espetáculos com base na história local relativa à entrada dos franceses pela Beira Baixa na 1.ª invasão [1807]”.
“Essa entrada teve diversas repercussões nos vários municÃpios com os quais estamos a trabalhar, com especificidades em cada um deles”, precisou, referindo que o tÃtulo comum aos espetáculos é “A 1.ª Invasão Francesa – Da ocupação à revolta”.
Segundo Raquel Alves Coelho, “cada um dos encenadores fez uma adaptação para cada um dos municÃpios, de acordo com o público-alvo”, dado que se está “a trabalhar com as comunidades locais, com grupos muito heterogéneos, cujas idades vão aos 6 aos quase 90 anos”.
“Além do grupo etário ser muito alargado, tem as mais diversas ocupações: jovens estudantes de Turismo, reformados, ex-emigrantes, comerciantes, entre outros”, afirmou, destacando que este projeto inclui “uma parte formativa ou de capacitação, mas também de troca de conhecimento entre as várias gerações”.
A diretora artÃstica salientou que “a comunidade local faz trabalho de ator, mas também participa com os seus testemunhos e com a construção da cenografia e adereços”.
“Há pessoas que levam objetos antigos, nomeadamente deste perÃodo, como balas de canhão das invasões francesas, e alfaias agrÃcolas que eram usadas em momentos em que a população se insurgiu aquando da ocupação”, exemplificou.
Raquel Alves Coelho adiantou que “o texto dramático foi construÃdo com base em fontes históricas e replica factos e acontecimentos históricos que ocorreram nesta região, precisamente nos municÃpios onde está a acontecer a preparação do espetáculo”.
Esta responsável adiantou que “a empresa aluga guarda-roupa e adereços”, mas para o espetáculo de Vila Velha de Ródão a câmara e a Academia Sénior locais “estão a executar com utentes da Academia o guarda-roupa”.
O guião inclui “versos que foram compostos por ocasião das invasões”, sendo que “a música que acompanha o texto foi concebida por grupos locais que integram o espetáculo”.
O secretário executivo da CIMBB, Hélder Henriques, declarou que o projeto, no âmbito da iniciativa Beira Baixa Cultural 2.0, “resulta de uma candidatura financiada por fundos comunitários e representa um trabalho em rede dos seis municÃpios que integram a Comunidade Intermunicipal”.
Hélder Henriques adiantou que “esta é a primeira fase”, seguindo-se outro espetáculo, cuja temática é a água, a realizar no segundo semestre deste ano.
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