
Xai-Xai, Moçambique, 20 mar 2026 (Lusa) — Pelo menos 15 mil pessoas estão em risco de serem retiradas devido à ameaça de inundações causadas pelas chuvas dos últimos dias em alguns distritos da província de Gaza, sul de Moçambique, alertaram hoje as autoridades locais.
“Estamos a falar do segundo e terceiro bairro da cidade de Chókwè, onde temos mais de 280 famílias, onde as águas já invadiram as suas casas. [O distrito] de Guijá também está numa situação ainda controlada, mas em alerta máximo, podendo atingir 15 mil pessoas” a terem de ser retiradas destas áreas, disse à comunicação social a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, durante uma visita à Chókwè.
Segundo a responsável, a situação permanece controlada, embora em alerta, e a retirada das populações para zonas seguras ainda não foi acionada, estando dependente da evolução do nível das águas.
“Não é ainda o momento para [retirarmos] a população para a zona de Chiaquelane que é a zona alta, mas, havendo agravamento, as estruturas competentes vamos comunicar”, acrescentou.
As autoridades provinciais mantêm equipas no terreno para monitorar a situação, num contexto de chuvas intensas que têm elevado o caudal dos rios no sul do país.
Na cidade de Xai-Xai, capital provincial, o diretor de obras municipais, Rogério Manjate, assegurou que algumas vias continuam transitáveis, apesar de haver algumas limitações.
“O que podemos dizer é que devem ser respeitadas as regras, sobretudo a restrição de circulação para viaturas acima de dez toneladas, porque são as condições que a estrada oferece, podendo haver dificuldades se a corrente aumentar”, afirmou.
As autoridades apelam ao cumprimento das orientações de segurança e admitem rever as medidas caso se registe agravamento das condições hidrológicas nos próximos dias.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 285, aproximando-se de um milhão o número de pessoas afetadas, desde outubro, segundo nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com informação da base de dados do INGD atualizada durante a madrugada de hoje contabilizam-se mais cinco mortos em 24 horas, tendo sido afetadas 955.133 pessoas (mais quase 40 mil face ao balanço anterior) na presente época das chuvas – que se prolonga ainda até abril -, correspondente a 218.739 famílias, havendo também 14 desaparecidos e 345 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
Um total de 17.182 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.770 totalmente destruídas e 191.727 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 303 unidades de saúde, 93 locais de culto e 722 escolas foram afetadas em cinco meses e meio.
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