
Lisboa, 09 set 2021 (Lusa) – O Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) está a recrutar mulheres grávidas para um estudo europeu que visa avaliar a exposição ao mercúrio das gestantes e desenvolver recomendações especÃficas para o consumo de peixe durante a gravidez.
Financiado pela Comissão Europeia, o projeto HBM4EU-MOM pretende também estudar os hábitos de vida e necessidades de mulheres grávidas relativamente ao consumo de peixe em cinco paÃses europeus – Chipre, Espanha, Grécia, Islândia e Portugal – na medida em que este consumo está associado à exposição ao mercúrio.
“O que se pretende é termos 130 mulheres em cada um dos paÃses para termos 650 mulheres a nÃvel europeu e podermos fazer uma análise global”, disse hoje à agência Lusa a investigadora do INSA Sónia Namorado.
Desde junho que o INSA está a convidar a participar no estudo mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 44 anos que estejam grávidas até à s 20 semanas, mas tem havido “algumas dificuldades de recrutamento” devido à situação de pandemia, disse a coordenadora do projeto a nÃvel nacional.
“Apesar de tentarmos fazer alguma divulgação através do Facebook do INSA e da colaboração de alguns centros de saúde, o que estes dizem é que as mulheres estão a adiar o planeamento da gravidez, muitas delas por estarem com receio desta situação de pandemia”, disse Sónia Namorado.
Por outro lado, disse a investigadora, “algumas grávidas, e é compreensÃvel, têm receio de participar no estudo porque querem minimizar os contactos durante a gravidez, porque é um perÃodo em que sentem que estão mais vulneráveis e querem proteger-se a si e o bebé”.
“Neste estudo fazemos a entrevista por telefone para minimizar o tempo em que há contacto direto com a mulher grávida e também minimizar os possÃveis riscos de covid-19”, disse, adiantando que já têm 45 participantes.
Às participantes será solicitada uma pequena amostra de cabelo para medição dos nÃveis de mercúrio e a resposta a um questionário sobre hábitos alimentares, estilos de vida e saúde.
Sónia Matos explicou que a colheita pode ser feita no INSA e se necessário a equipa desloca-se à residência. Quem quiser participar pode entrar em contacto com a equipa através do endereço de e-mail hbm4eu-mom@insa.min-saude.pt.
A investigação, que está a ser desenvolvida “no âmbito de um grande projeto europeu”, designado Iniciativa Europeia de Biomonitorização Humana, teve inÃcio em 2017, mas foi prolongada por causa da pandemia de covid-19, devendo estar concluÃda no final do ano.
“O objetivo desta iniciativa é tentar compreender a forma como nos encontramos expostos a quÃmicos e quais podem ser as consequências dessa exposição na nossa saúde”, explicou.
Segundo a investigadora, existem “imensos quÃmicos” a que as populações estão expostas, mas nem todos serão igualmente perigosos para a saúde.
“Sabe-se que a exposição ao mercúrio vem através da contaminação que já existe de mercúrio no ambiente que nos rodeia, mas a principal fonte de exposição é através da alimentação, mais concretamente do consumo de peixe”, salientou.
Contudo, sublinhou, “o peixe faz muito bem à saúde e, portanto, tem de haver um equilÃbrio entre as duas coisas. A questão que se coloca é: Comemos o peixe e que nÃveis de mercúrio temos depois? São nÃveis baixinhos e não é preciso fazermos nada? Ou será que são nÃveis mais elevados?”
A exposição crónica ao mercúrio está associada à ocorrência de alterações no sistema nervoso central, rins e fÃgado, podendo também ocorrer sÃndromes oftalmológicas ou dermatológicas, bem como alterações do sistema imunitário, da pressão sanguÃnea e da frequência cardÃaca.
O problema relativamente às grávidas, o grupo mais vulnerável, é que o mercúrio que existe no seu corpo irá existir também no corpo do bebé, frisou.
“Ao participarem no projeto as mulheres não só vão ter a possibilidade de conhecer a sua exposição ao mercúrio, como também estarão a contribuir para a obtenção de dados a nÃvel da população que poderão ter efeitos nas polÃticas de saúde e ambiente”, disse Sónia Namorado.
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