
A maioria dos canadianos considera que Mark Carney tomou a decisão certa ao suspender as negociações comerciais com os Estados Unidos da América (EUA). Os dados são de um novo inquérito da “Abacus Data”, realizado entre 21 e 26 de agosto, junto de mais de dois mil adultos em todo o país. 71% dos inquiridos apoiam a decisão do Governo Federal de interromper as negociações, mesmo depois de serem informados de que a medida poderia provocar tarifas mais elevadas e maior incerteza económica.
Apenas 17% consideram que Ottawa deveria ter aceitado a proposta norte-americana. Outros 12% não têm uma opinião definida.
Carney suspendeu as negociações a 21 de agosto, depois de Washington apresentar novas condições que o primeiro-ministro classificou como injustas e prejudiciais para a economia canadiana. No dia seguinte, os EUA aplicaram tarifas de 50% sobre cerca de 28 mil milhões de dólares em produtos canadianos.
O apoio à decisão de Ottawa atravessa regiões e partidos. No Quebec, chega aos 79%, enquanto em Alberta fica nos 61%.
Mesmo entre os eleitores conservadores, a decisão reúne apoio. 54% consideram correta a suspensão das negociações, apesar das críticas do partido à estratégia do Governo Federal.
No conjunto do país, 60% aprovam a forma como Mark Carney e o Governo Federal têm conduzido as negociações com os EUA. Entre os eleitores conservadores, 36% aprovam e 38% desaprovam a atuação do Governo.
Apesar do apoio à posição de Carney, existe pouco otimismo quanto ao futuro. Apenas 15% esperam uma resolução rápida que permita retirar a maioria das tarifas. Para 32% dos canadianos, o conflito deverá prolongar-se antes de surgir um acordo. Outros 40% admitem um agravamento das tensões ou uma deterioração duradoura das relações entre os dois países.
Os resultados mostram um forte apoio à posição de Ottawa, mas também preocupação com a duração e o impacto económico da disputa comercial com Washington.



