Inquérito conclui que guardas prisionais têm “elevado nível de vulnerabilidade ao stresse”

Lisboa, 06 jan 2026 (Lusa) — Um inquérito a 230 guardas prisionais que recorreram à Linha de Apoio Psicológico concluiu que 125 estão em acompanhamento, existindo “um elevado nível de vulnerabilidade ao stresse”, divulgou hoje o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).

Este estudo, realizado entre novembro e dezembro passados, é coordenado pela psicologa Clara Sofia Vila Cova, da Linha de Apoio Psicológico ao Corpo da Guarda Prisional, criada em novembro de 2021 e suportada pelo SNCGP.

O relatório, com uma amostra de 230 casos de guardas prisionais que pediram apoio à linha será agora enviado à ministra da Justiça e para os grupos parlamentares.

O sindicato vai sugerir, entre outros pontos, que este tipo de estudos são fundamentais para contribuir para a implementação de estratégias que visem prevenir o ‘burnout’ (esgotamento profissional), assim como “formações, workshops e ações presenciais de sensibilização”.

Na missiva enviada ao Governo e aos grupos parlamentares, o sindicato, que representa cerca de 3.300 do total de 3.800 profissionais do setor, sublinha que o estudo evidencia a “necessidade urgente de adotar uma abordagem cada vez mais preventiva face aos problemas relacionados com o stress, a exposição contínua a fatores stressantes e a vivência da síndrome de ‘burnout’, através da criação de mecanismos de proteção adequados”.

No inquérito verificou-se que a maioria da amostra é constituída pela classe dos Guardas (79,7%), seguindo-se os Guardas Principais (17,8%), os Chefes (1,8%) e, por último, os Chefes Principais (0,8%).

Na análise descritiva do Questionário de Vulnerabilidade ao Stress, especificamente no que respeita à pontuação total da subescala, observa-se que, para a amostra global, foi considerado um valor máximo de 3.65, sendo igualmente identificada uma média elevada de 3.95, o que revela um agravamento da situação em si em relação aos dados anteriormente analisados no ano de 2023, acrescenta o SNCGP.

A estrutura sindical destaca que “o ‘burnout’ elevado é identificado em 71,3% dos elementos do Corpo da Guarda Prisional, em contraste com a ausência [deste esgotamento] observada em 28,7% da amostra. Comparativamente ao ano de 2023, ano em que a escala de ‘burnout’ estava nos 3,85 atualmente o patamar atinge os 4,10”.

Cerca de 75% da amostra trabalhada queixa-se de falta de reconhecimento social, considera que a sociedade não valoriza suficientemente a profissão, apesar da sua importância para a segurança pública.

A nível interno, 98% considera falta de reconhecimento por parte de dirigentes e os guardas prisionais consideram o seu local de trabalho de forma complexa e ambivalente.

Face a estes dados, na missiva enviada aos decisores políticos, o sindicato sublinha que “compete à Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais assumir a responsabilidade de investir na disponibilização de recursos que permitam reduzir o impacto dos eventos causadores de stresse, frequentemente potenciadores do ‘burnout’, os quais afetam o desempenho profissional e a saúde dos seus profissionais e que, a médio e longo prazo, podem vir a constituir um risco acrescido para as suas vidas”.

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