
Lisboa, 12 jun 2019 (Lusa) – O antigo governador do Banco de Portugal (BdP), VÃtor Constâncio, considera que as declarações feitas na terça-feira no parlamento pelo ex-administrador do BCP Filipe Pinhal são caluniosas e não têm qualquer credibilidade.
Numa nota enviada à agência Lusa, o também ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) acusa Filipe Pinhal de ser “uma pessoa sem qualquer credibilidade” e classifica as suas declarações como “calúnias”, lembrando que o antigo responsável do Banco Comercial Português (BCP) já foi “condenado pelos tribunais criminais e em processos do BdP e da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários, por crimes cometidos no BCP”.
Constâncio promete ainda responder à s acusações de Filipe Pinhal em futuras intervenções públicas por considerar que as mesmas são falsas, “sem fundamento e sem factos.”
Na terça-feira, durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Filipe Pinhal apelidou de “anómalo” o comportamento do Banco de Portugal (BdP) durante a ‘guerra’ pelo poder no BCP, e disse que só conseguia explicar o comportamento do governador com “desorientação”.
“O tratamento do BdP ao caso BCP, não apenas no dia 20 e 21 de dezembro [de 2007], como toda a instrução, é completamente anómalo”, disse aos deputados Filipe Pinhal.
Sobre o comportamento do então governador, VÃtor Constâncio, Filipe Pinhal disse que o anterior lÃder do supervisor só poderia estar desorientado.
“Só o posso entender, numa pessoa habitualmente serena como VÃtor Constâncio, com uma grande desorientação que estava justamente no dia em que ia começar o plano de ação para tomada do BCP”, afirmou Filipe Pinhal.
O ex-administrador disse que foi um processo feito “à s ocultas do paÃs, do conselho superior do BCP, do conselho geral e de supervisão, do conselho de administração executivo”.
Filipe Pinhal disse também que o então governador “correu” com ele por não ter concedido um crédito a José Berardo no BCP, e acusou o Banco de Portugal de ter “extravasado grosseiramente e ilicitamente as funções de supervisão”.
“VÃtor Constâncio virá aqui dizer que não houve implicação nenhuma, que uma coisa não tem nada a ver com outra, mas isso é a opinião de VÃtor Constâncio”, declarou Filipe Pinhal.
O gestor disse ainda não ter “conhecimento de que em algum paÃs do mundo, entre os cinco bancos que dominam o mercado, fossem chamados os presidentes de dois desses bancos para decidir o futuro de um terceiro”.
Anteriormente, o ex-administrador do BCP tinha descrito à deputada do CDS-PP CecÃlia Meireles a sucessão de acontecimentos, em que VÃtor Constâncio e o seu vice-governador, Pedro Duarte Neves, pediram insistentemente informações sobre o caso das ‘offshore’ do BCP, que culminou com uma carta entregue por Pinhal, então presidente interino do banco, a 20 de dezembro.
Filipe Pinhal afirmou ainda que “o Banco de Portugal acompanhou a par e passo a vida do BCP, com pedidos insistentes de informação a partir de 03 de dezembro [de 2007], primeiro dia útil depois da denúncia”, e “com igual atenção aquilo que em maio o Diário Económico publicava e o que o senhor Berardo dizia no jornal das 9 da SIC NotÃcias”.
O ex-administrador do BCP disse ainda que a central de risco do Banco de Portugal teve conhecimento “caso a caso” das verbas de crédito concedido pela CGD “e a quem”, e que “350 milhões de euros num dia só” [financiamento concedido à Fundação Berardo] é uma verba que “não é possÃvel […] que tenha passado despercebida” pelo supervisor.
VÃtor Constâncio voltará a ser inquirido no dia 18 de junho na comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da CGD, onde esteve em 28 de março, depois de ter sido noticiado que a sua administração no BdP autorizou o reforço de posição da Fundação José Berardo no BCP.
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