
Lisboa, 21 mar 2023 (Lusa) — O Conselho das Finanças Públicas prevê uma “desaceleração acentuada” para 0,4% do consumo privado este ano, 5,3 pontos percentuais abaixo de 2022, devido à s pressões inflacionistas, aumento dos juros e dissipação da poupança acumulada na pandemia.
No relatório sobre as perspetivas económicas e orçamentais 2023-2027, divulgado hoje, a instituição presidida por Nazaré da Costa Cabral justifica este comportamento com a “persistência de pressões inflacionistas neste perÃodo, embora inferiores à s observadas em 2022”, que “deverão exacerbar a deterioração da confiança dos consumidores, os nÃveis elevados de incerteza e a erosão do poder de compra”.
A “condicionar a situação financeira das famÃlias”, sobretudo dos agregados mais endividados e com menores rendimentos, estará também o aumento das taxas de juro, dada a “elevada prevalência de empréstimos” a taxas variáveis em Portugal.
Adicionalmente, o abrandamento previsto do consumo privado em volume reflete “a dissipação dos nÃveis de poupança acumulada durante os anos da pandemia ao longo de 2022”.
Isto apesar de o Conselho das Finanças Públicas (CFP) antecipar “uma ligeira recuperação na taxa de poupança em 2023”, partindo de “nÃveis estimados historicamente baixos” em 2022, como forma de precaução e refletindo um esperado aumento do rendimento disponÃvel nominal, em resultado do crescimento das remunerações médias por trabalhador.
O CFP estima que, a partir de 2024, o consumo privado inicie uma “trajetória gradual de recuperação”, para um crescimento de 0,7%, refletindo a diminuição gradual das pressões inflacionistas e a estabilização das taxas de juro, que deverão contribuir para a recuperação gradual do rendimento real das famÃlias e para o aumento do nÃvel de confiança dos consumidores.
“No médio prazo, é esperada uma estabilização do crescimento do consumo privado em torno de 1,2%, em paralelo com a convergência gradual da taxa de poupança para valores próximos da média pré-pandemia (6,8%, equivalente à média do perÃodo 2014-2019)”, avança.
Quanto ao ritmo de crescimento do consumo das administrações públicas, deverá acelerar 0,4 pontos percentuais em volume em 2023, para 2,8%, “em linha com a perspetiva de aumento do emprego público, que deverá aumentar as despesas com pessoal, e com a expectativa de aceleração da despesa lÃquida em bens e serviços, de acordo com o previsto no Orçamento do Estado para 2023”.
Nos anos seguintes, prevê-se uma convergência do ritmo de crescimento do consumo público para 0,7% no médio prazo.
Relativamente à Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), deverá apresentar, em volume, uma desaceleração de 0,4 pontos percentuais em 2023, para 2,3% (2,7% em 2022), refletindo o adiamento de decisões de investimento devido à elevada incerteza, os constrangimentos na oferta que ainda prevalecem, a inflação elevada, o agravamento das condições de financiamento e o abrandamento da procura interna e externa.
A evolução do investimento deverá, contudo, ser “parcialmente suportada pela expectativa de uma aceleração na absorção dos fundos europeus”, particularmente os associados ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que sustentarão uma aceleração do crescimento da FBCF total para 4,2% em 2024 e 5,1% em 2025, “ainda que maioritariamente por via da sua componente pública”.
No médio prazo, o CFP aponta para uma convergência gradual do ritmo de crescimento da FBCF para 3,2% em 2027.
No que se refere à s exportações de bens e serviços, deverão crescer 2,3% em volume em 2023, numa “desaceleração expressiva” de 14,4 pontos percentuais face a 2022 que reflete as perspetivas de abrandamento das economias dos principais parceiros económicos de Portugal.
Já as exportações de serviços, nomeadamente as ligadas à s atividades turÃsticas, que em 2022 já recuperaram, para nÃveis superiores ao perÃodo pré-pandemia, “deverão abrandar o seu ritmo de crescimento em 2023, apesar de ainda prevalecer a expectativa de algum dinamismo neste setor, com a antecipação de eventos como a Jornada Mundial da Juventude no terceiro trimestre”.
Em 2024, o CFP projeta uma aceleração do ritmo de crescimento das exportações totais para 3,9%, “consistente com a melhoria do enquadramento internacional e com a retoma da procura externa”, convergindo para um crescimento de 3,2% no médio prazo.
Quanto às importações de bens e serviços em volume estima-se um crescimento de 2,3% em 2023, menos 8,7 pontos percentuais face a 2022, sendo que, para 2024 e 2025 antecipa-se uma aceleração para 2,9% e 3,1%, respetivamente, seguido de um abrandamento para 2,9% nos dois anos seguintes.
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