Indonésia torna-se o segundo país do Sudeste Asiático a ter porta-aviões

Jacarta, 18 set 2026 (Lusa) – A Indonésia recebeu hoje o seu primeiro porta-aviões, um antigo navio de guerra italiano que, segundo o Governo, reforçará as capacidades de segurança marítima e de resposta a catástrofes do arquipélago.

O antigo ITS Giuseppe Garibaldi, de 41 anos, com capacidade para operar aeronaves de descolagem curta e aterragem vertical, bem como helicópteros, foi recebido com uma cerimónia militar à chegada à base naval de Tanjung Priok, no porto do Norte de Jacarta.

Em março, a Itália concordou em ceder à Indonésia o porta-aviões, retirado de serviço em 2024, numa iniciativa destinada a reforçar a cooperação na área da defesa entre os dois países.

Roma procura igualmente fechar contratos para o fornecimento de submarinos e aeronaves, enquanto a transferência do navio permite evitar os custos associados ao seu desmantelamento.

“Pretendemos utilizar o navio sobretudo em operações militares não relacionadas com guerra, embora possa também ser mobilizado para missões de combate, se necessário”, declarou aos jornalistas o chefe da Marinha indonésia, almirante Muhammad Ali, após a cerimónia.

Segundo o responsável, o porta-aviões poderá permanecer ao serviço entre 15 e 20 anos e acomodar 14 ou mais helicópteros, dependendo da sua dimensão.

A Indonésia torna-se assim o segundo país do Sudeste Asiático a operar um porta-aviões. A Tailândia colocou ao serviço o HTMS Chakri Naruebet em 1997, após a sua aquisição a Espanha juntamente com aeronaves AV-8S Matador.

Ali indicou que o navio será integrado na Marinha na próxima semana com o nome KRI Sriwijaya, em homenagem ao império marítimo de Srivijaya, reino sediado em Sumatra que se tornou uma das principais potências navais e comerciais do Sudeste Asiático entre os séculos VII e XIII. Anteriormente, a Marinha tinha previsto atribuir-lhe a designação KRI Gajah Mada.

O reforço das capacidades militares é uma das prioridades da administração do Presidente Prabowo Subianto, que tem defendido a expansão das Forças Armadas através da aquisição de submarinos, fragatas, aviões de combate e sistemas de mísseis, além do aprofundamento da cooperação militar com diversos países.

Contudo, a compra do Garibaldi suscitou dúvidas sobre a necessidade de a Indonésia possuir um porta-aviões e sobre a conveniência de gastar centenas de milhões de dólares na modernização e operação de um navio de guerra envelhecido.

O Ministério das Finanças indonésio aprovou, em 2025, um financiamento de 450 milhões de dólares (383 milhões de euros) para o programa do porta-aviões. Alguns deputados alertaram, porém, que o custo total poderá ser muito superior.

TB Hasanuddin, membro da Comissão I do Parlamento, afirmou que apenas a adaptação do navio poderá atingir 16 biliões de rupias (766 milhões de euros).

Ao contrário das grandes potências navais, que utilizam porta-aviões para projetar aviões de combate a grandes distâncias, a Indonésia pretende usar o navio como centro móvel de comando e apoio a helicópteros, aeronaves não tripuladas e operações marítimas através das milhares de ilhas do arquipélago.

Durante uma reunião sobre gestão de catástrofes realizada no início deste mês, Prabowo afirmou que a embarcação ajudará as autoridades a combater os incêndios florestais e em turfeiras que regularmente cobrem partes do Sudeste Asiático com névoa tóxica.

“Vamos renová-lo e convertê-lo num porta-helicópteros e porta-drones”, afirmou Prabowo numa videoconferência. “Isto ajudará enormemente a nossa resposta a catástrofes.”

O Presidente revelou ainda planos para operar drones a partir do navio e utilizá-lo como plataforma móvel destacável rapidamente em caso de desastres naturais. Inundações provocadas pelas monções, sismos e atividade vulcânica são fenómenos frequentes na Indonésia.

A aquisição surge numa altura em que a maior economia do Sudeste Asiático enfrenta pressões orçamentais crescentes.

O Governo de Prabowo tem financiado um ambicioso programa de refeições nutritivas gratuitas e outras iniciativas de elevado custo, enquanto economistas alertam para o abrandamento do crescimento, menores receitas do Estado e restrições orçamentais mais apertadas.