
Lisboa, 02 jul 2026 (Lusa) — As Forças Armadas reforçaram o dispositivo de vigilância e combate aos incêndios, contando agora com 50 patrulhas terrestres espalhadas pelo paÃs e com mais meios aéreos para missões de vigilância.
Em comunicado hoje divulgado pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), adianta-se que o dispositivo militar foi reforçado na quarta-feira, contando agora com 50 patrulhas de vigilância terrestre, com elementos do Exército e da Marinha, dispersos por vários municÃpios do paÃs.
Foi também reforçada a vigilância com meios aéreos, “apoiados por sistemas aéreos não tripulados operados pela Marinha e pela Força Aérea”.
“Para as operações de rescaldo e pós-rescaldo, as Forças Armadas mantêm ainda um pelotão em estado de pré-posicionamento e destacamentos de engenharia, preparados para apoiar as autoridades sempre que solicitado”, adianta ainda o comunicado.
O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano conta com “dois helicópteros AW119 Koala para missões de reconhecimento, vigilância e coordenação aérea” e “dois helicópteros UH-60 Black Hawk, destinados ao combate direto à s chamas e à projeção de operacionais no terreno”.
O EMGFA refere ainda que desde abril as Forças Armadas têm estado também envolvidas em trabalho de prevenção, com destacamentos em 10 municÃpios na zona mais afetada pelas tempestades de inverno, tendo desobstruÃdo 850 quilómetros de caminhos florestais.
O Governo decretou situação de alerta, que vai vigorar das 00:00 de sexta-feira à s 23:59 de segunda-feira, devido ao “significativo agravamento do risco de incêndios rurais”.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou também na quarta-feira o estado de prontidão especial para o nÃvel III (intermédio/alto), tendo em conta o previsÃvel “agravamento muito significativo” do perigo de incêndios rurais nos próximos dias.
O dispositivo de combate a incêndios rurais foi quarta-feira reforçado para entrar na sua capacidade máxima, numa altura em que a área ardida e o número de fogos duplicaram em relação ao mesmo perÃodo de 2025.
O DECIR entrou na quarta-feira, 01 de julho, no ‘reforçado – nÃvel Delta’, que se prolonga até 30 de setembro.
O DECIR prevê para esta altura do ano 81 meios aéreos, três dos quais os helicópteros da AFOCELCA (empresa de proteção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais). Pela primeira vez este ano vão estar ao serviço os dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea.
Segundo o DECIR, vão estar ao dispor nos próximos três meses, entre permanentes e mobilizáveis, 15.149 operacionais de 2.596 equipas e 3.463 viaturas, um ligeiro aumento em relação a 2025.
Uma das novidades introduzidas este ano no DECIR, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), é a utilização do retardante (substância quÃmica usada para reduzir, atrasar ou impedir a propagação do incêndio e consequentemente auxilia no controlo e extinção do fogo) por um maior número de meios aéreos.
O ministro da Administração Interna já reconheceu várias vezes que este ano vai ser “muito duro” em relação ao risco de incêndios florestais, antecipando um verão “muito complicado”.
Dados provisórios Dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) dão conta que este ano ocorreram 7.173 incêndios que provocaram 14.173 hectares de área ardida, tendo a maioria dos fogos e da área ardida acontecido na região Norte, 2.131 e 9.643 hectares respetivamente.
Em relação ao mesmo perÃodo de 2025 o número de incêndios rurais e de área ardida duplicaram, segundo o SGIFR. Este ano a área ardida é a maior desde 2017, enquanto os incêndios registam o maior número desde 2022.
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