
Lisboa, 23 jul 2020 (Lusa) — A Associação dos Profissionais da Guarda considerou hoje que os militares da GNR “não podem ser o bode expiatório” no caso do incêndio que atingiu dois canis ilegais no concelho de Santo Tirso e exigiu “medidas drásticas”.
“Quem esteve, desde o primeiro momento a garantir a contenção do incêndio e a preservação da vida dos animais foram os profissionais da GNR e os bombeiros, motivo pelo qual é injusto e inadmissÃvel que o prestÃgio da instituição e a honra e consideração dos que a servem fique refém de expedientes polÃticos, sem consequências”, refere a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), em comunicado.
A APG exige “medidas drásticas” por parte do Ministério da Administração Interna e pelo Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana que “não sejam letra morta” e “sejam de facto dissuasoras deste tipo de crime”.
O comunicado do APG surge após 74 animais terem morrido durante um incêndio florestal que atingiu no sábado dois canis ilegais no concelho de Santa Tirso.
O ministro da Administração Interna determinou na segunda-feira a abertura de um inquérito à atuação da GNR e da Proteção Civil no incêndio.
A Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de um inquérito do Ministério Público ao caso.
Segundo a GNR, a morte dos animais no incêndio não se deveu ao facto de ter impedido o acesso de populares ao local, mas à dimensão do fogo e à quantidade de animais.
A morte de cães e dois gatos carbonizados motivou reações dos partidos polÃticos, com PAN, BE e PCP a exigirem explicações do Governo.
“Este caso tornou-se de tal forma mediático que se ultrapassou a si próprio. A desinformação e aproveitamento polÃtico de certos setores, que fazem opinião com base no número de ‘likes’ de publicações e comentários nas redes sociais é deplorável, sendo que nada justificará os insultos, ameaças e afirmações difamatórias da honra e profissionalismo dos profissionais da GNR que intervieram no local e que circulam amplamente na internet”, sublinha a APG no comunicado.
A associação mais representativa da GNR avança que esta situação “faz lembrar” o incêndio de 2027 em Pedrógão Grande e, “mais uma vez, encontra-se nos profissionais da Guarda o bode expiatório quando algo corre mal”.
Para a APG, os “defensores dos animais têm boa parte da responsabilidade objetiva de situações deste tipo, ao forçarem a aprovação de uma lei que proÃbe a eutanásia dos animais, ao mesmo tempo que não garante respostas de acolhimento em número suficiente e condignas ao nÃvel dos municÃpios, proliferando um sistema de criação de canis geridos por particulares e de difÃcil fiscalização”.
Esta associação refere também que os militares da GNR que se deslocaram ao local “cumpriram ordens”.
“As forças de segurança são o rosto do Estado junto do cidadão e se estas não são respeitadas e não existe qualquer agilidade no cumprimento da lei que reconhece a gravidade da ofensa a funcionário público por via de uma maior moldura penal, então algo de errado se passa, pois neste caso até fica a caricata ideia de que os animais em causa terão maior salvaguarda da sua dignidade do que os agentes que cumpriram o seu dever no lugar e que têm o direito a ver preservadas a sua dignidade e honra”, sublinha ainda.
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