
Londres, 08 dez (Lusa) – A agência de informação financeira Bloomberg e a revista The Economist publicaram nos últimos dias artigos que elogiam a presidência de João Lourenço em Angola, destacando o Ãmpeto reformista, mas sem esconder as dificuldades.
“A oposição chamou-o de ‘chauffeur’, já que seria José Eduardo dos Santos a dizer-lhe para onde ir, mas dois meses depois, o ‘chauffeur’ parece que não aceita ordens”, escreve a revista britânica The Economist, num artigo em que passa em revista as principais exonerações decididas por João Lourenço e o simbolismo de algumas iniciativas.
“Ao enfraquecer o clã de dos Santos, e tão depressa depois de chegar ao cargo, Lourenço começou forte”, lê-se no artigo que dá voz a vários académicos para comprovar o simbolismo das mudanças.
“O assalto ao império dourado do antigo Presidente está a convencer pelo menos alguns angolanos”, continua o artigo da Economist, onde se lê: “Nas redes sociais muitos partilharam o cartaz do filme ‘O Exterminador’, em que a cara de Schwarzenegger é substituÃda pela do Presidente com a legenda ‘O Exonerador Implacável'”.
Noutro exemplo de mudanças simbólicas, a Economist escreve que “dizem que a comitiva presidencial agora para nos semáforos vermelhos e João Lourenço foi visto numa fila para o KFC, uma cadeira de ‘fast-food’”.
Num paÃs “onde os ricos e os poderosos têm estado acima da lei durante anos, pequenos gestos como estes têm um grande significado”, escreve a Economist.
Se o tom do artigo mostra que os angolanos estão agradados pela nova maneira de governar, também os mercados parecem ter aprovado a recente presidência de João Lourenço.
“Ele só liderou Angola por um par de meses, mas os investidores em tÃtulos já gostam do que estão a ver de João Lourenço”, escreve a Bloomberg, num artigo em que mostra que a dÃvida soberana angolana é a mais rentável de entre 70 paÃses emergentes analisados por esta agência de informação financeira.
Os 1,5 mil milhões de dólares em tÃtulos de dÃvida com maturidade em 2025 deram 8% desde que Lourenço tomou posse, nota a Bloomberg, vincando que “o resultado não se reduz ao aumento de 5% nos preços do petróleo nesse perÃodo”, porque a média do retorno de outros tÃtulos semelhantes ficou-se pelos 0,3%.
“Apesar de se poder apontar para a turbulência do mercado devido aos preços elevados do petróleo, o mercado pode estar a ficar mais construtivo face à perspetiva de evolução da polÃtica económica”, comentou o lÃder do departamento estratégico do Standard Bank londrino, Dmitry Shishkin.
“O Governo tocou nas teclas certas, apontando para o desejo de melhorar a sustentabilidade da dÃvida, cortar algumas despesas, emitir mais dÃvida soberana e continuar com a reforma da Sonangol”, concluiu o gestor de fundos.
Também a agência de notação financeira Moody’s considera que uma descida do ‘rating’ de Angola é improvável nos próximos anos, argumentando que o crescimento deve manter-se positivo e que o risco polÃtico desceu com a eleição de João Lourenço.
“Uma descida do ‘rating’ é improvável nos próximos anos, o crescimento deve manter-se positivo, o setor petrolÃfero deve crescer moderadamente até 2022, e apoiar a gradual recuperação, ainda que abaixo da média da década passada”, disse a Moody’s à Lusa.
“O risco polÃtico baixou com uma sucessão presidencial pacÃfica e com sucesso”, concluÃram os analistas, nas respostas à s questões colocadas pela Lusa.
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