
Lisboa, 26 mar 2026 (Lusa) — A Iniciativa Liberal considerou hoje que o Governo não tem motivos para celebrar o excedente orçamental numa altura em que os portugueses estão confrontados com um custo de vida elevado e uma crise na habitação.
“Obviamente que nós acompanhamos a necessidade de termos contas públicas equilibradas, isso é positivo. Mas, infelizmente, não há motivos para celebrar enquanto o custo de vida é tão elevado para os portugueses, enquanto é tão difÃcil encontrar um sÃtio onde viver, quando em 2025 nós recuamos no PIB per capita a nÃvel europeu, e não há motivos para celebrar quando o paÃs continua a crescer 1%, quando deveria estar a crescer 3% e 4% ao ano”, defendeu o lÃder parlamentar.
Numa declaração na Assembleia da República depois de ter sido tornado público que Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), Mário Amorim Lopes recordou palavras de LuÃs Montenegro quando o PSD era oposição, referindo que “o paÃs parece estar a crescer”, os portugueses “é que não o estão a sentir”.
“O que nós esperamos é que o Governo, da próxima vez que celebra alguma coisa, que seja verdadeiramente algo que os portugueses sentem no bolso, que é um paÃs a crescer, um paÃs mais próspero, um paÃs com salários melhores, um paÃs ao nÃvel dos paÃses da União Europeia”, desafiou.
O deputado da IL considerou também que os excedentes orçamentais “têm um propósito, que é precisamente ajudar nas situações de crise”, e o Estado “tem de fazer aquilo que lhe compete, que é ajudar as pessoas”, mas sem “pôr em causa a sustentabilidade das contas públicas”.
Mário Amorim Lopes considerou que “se as medidas forem circunscritas no tempo, se forem conjunturais por um perÃodo de tempo bem limitado”, não deverão comprometer o equilÃbrio das contas públicas, mas “se forem uma despesa que fica para o futuro”, já não é assim, mostrando preocupação com aumentos de despesa permanentes.
Questionado sobre um eventual orçamento retificativo, o lÃder parlamentar da IL lembrou que o seu partido “já pediu que o Governo apresentasse esse orçamento retificativo” para ser possÃvel “discutir as medidas e o custo dessas medidas”.
E defendeu que esse momento não pode ser aproveitado pelos partidos “para tentar fazer algum tipo de ganho polÃtico”.
Portugal fechou 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da estimativa de 0,3% do Governo, segundo os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de EstatÃstica (INE).
“O saldo do setor das Administrações Públicas (AP) manteve-se positivo, fixando-se em 0,7% do PIB no ano terminado no 4.º trimestre de 2025 (0,6% no final de 2024), mais 0,5 p.p. (pontos percentuais) do que o observado no trimestre anterior”, indicou o INE.
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FM (MES) // JPS
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