
Estoril, Cascais, 04 out 2024 (Lusa) – O lÃder da Iniciativa Liberal acusou hoje o Presidente da República de “invasão permanente” no espaço da negociação do Orçamento do Estado, considerando que as suas “intervenções praticamente diárias” são indesejáveis e recomendando-lhe recato.
Em declarações aos jornalistas à entrada do Centro de Congressos do Estoril, onde começa hoje o congresso da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE), Rui Rocha foi questionado sobre como é que interpreta a decisão do Presidente da República de ter adiado viagens à Estónia e à Polónia que tinha previstas para a próxima semana, tendo em conta as negociações orçamentais em curso.
Na resposta, o lÃder da IL defendeu que Marcelo Rebelo de Sousa o paÃs “ganhariam com algum distanciamento” do Presidente da República, frisando que “tem feito intervenções praticamente diárias, à s vezes mais do que uma vez por dia”.
“E se há coisas que me parecem naturais que aconteçam – como por exemplo o Conselho de Estado, onde é natural que o senhor Presidente promova a discussão sobre o momento do paÃs – já outras intervenções tão permanentes, tão insistentes, creio que traduzem e dão aos portugueses um sinal de intranquilidade que eu considero indesejável”, afirmou.
Para Rui Rocha, “é bom que os partidos possam ter o seu espaço, defender as suas ideias, negociar a apresentar as suas propostas”.
“E esta invasão permanente, por parte do senhor Presidente da República, do espaço que é o espaço da negociação própria da democracia e do espaço dos partidos, parece-me indesejável do ponto de vista da normalidade do processo democrático”, criticou.
Questionado se recomendaria recato a Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rocha disse que sim, salientando que “todas estas questões devem ser feitas com alguma discrição”.
“Não creio que o paÃs ganhe muito com toda esta discussão na praça pública que tem havido. Normalmente, quando as discussões e as pressões são feitas na praça pública, isso significa que há poucas probabilidades de serem eficazes”, salientou.
Rui Rocha disse assim que o Presidente da República “preservasse a sua capacidade de intervenção”.
“Isso faz com que esse recato fosse, de facto, desejável”, disse.
O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu adiar as viagens à Estónia e à Polónia previstas para a próxima semana e manter-se no paÃs, tendo em conta as negociações orçamentais em curso.
“Terminando no próximo dia 10 de outubro o prazo para entrega na Assembleia da República da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2025, mas estando ainda em curso diligências do Governo designadamente com o PS, com vista a concluir tal proposta, o Presidente da República considerou mais avisado adiar a deslocação prevista à Estónia e à Polónia na próxima semana e manter-se no paÃs”, disse à Lusa fonte da Presidência da República.
Marcelo Rebelo de Sousa tinha previsto deslocar-se à Estónia entre segunda e quinta-feira, para uma visita de Estado, a convite do seu homólogo, Alar Karis, e depois a Cracóvia, Polónia, entre quinta e sexta-feira, para o 19.º encontro informal do Grupo de Arraiolos.
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