
Lisboa, 28 out 2022 (Lusa) — A inspetora-geral da Administração Interna, Anabela Cabral Ferreira, afirmou hoje para o número de mortes por suicÃdio entre polÃcias é superior aos óbitos registados no cumprimento do serviço, enfatizando a importância de uma maior atenção à saúde mental.
No discurso proferido na conferência ‘Controlo de conflitos e a desescalada no âmbito de intervenção da PolÃcia’, em Lisboa, a responsável da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) lembrou que os agentes “são por vezes confrontados com faltas de respeito e alvo de provocações”. Por isso, reiterou a necessidade de preparar os elementos das forças policiais para esta realidade “sem comprometerem o seu bem-estar e a sua saúde mental”.
“Os polÃcias são obrigados a fazer sacrifÃcios que têm impacto na vida familiar, nas horas de descanso e, por vezes, na própria vida. Deve fazer-nos refletir que em Portugal, como noutros paÃses, mais polÃcias morrem por suicÃdio do que em serviço. Isto reflete as dificuldades do trabalho, o stresse a que estão sujeitos e até a problemas emocionais e fÃsicos de saúde que são sintomáticos de ‘burnout'”, afirmou.
Perante o ministro da Administração Interna, José LuÃs Carneiro, o secretário-geral de Segurança Interna, Paulo Vizeu Pinheiro, e o diretor nacional da PolÃcia Judiciária, LuÃs Neves, a inspetora-geral salientou a dificuldade do exercÃcio da atividade policial. Anabela Cabral Ferreira destacou ainda que a segurança do paÃs depende de uma consciência clara do dever por parte dos polÃcias, mas também do respeito da comunidade em relação aos agentes.
“Os polÃcias merecem e precisam de mais. Precisam de saber técnicas e ter ferramentas para serem capazes de introduzir a desescalada de conflitos e merecem que tomemos atenção à sua saúde mental. Temos a responsabilidade de estudar, gerir melhor e resolver esta situação. Devemos isso à queles que garantem o nosso modo de vida”, explicou.
Por sua vez, José LuÃs Carneiro indicou a importância de promover a avaliação de situações de escalada de conflitos nas forças policiais, ao notar que o uso da força por meios legais é um dos pilares do Estado de Direito entre as sociedades democráticas contemporâneas.
“A utilização dos meios legÃtimos de aplicação da lei por agentes policiais, neutralizando ou minimizando uma ameaça, em situações de escalada de conflito, com diferentes graus de violência, requer uma avaliação racional e operacional do problema”, observou.
O governante fez questão de notar a “complexidade dos parâmetros a estabelecer para evitar a escalada do conflito” e sublinhou também a relevância da IGAI neste contexto.
“A IGAI desempenha um papel importante como instituição responsável pela supervisão de um vasto leque de iniciativas no âmbito de atividades de capacitação, formação e inspeção, bem como na promoção de contactos regulares com as nossas autoridades, que visam sensibilizar e aumentar todas as respostas técnicas e operacionais possÃveis que possam revelar-se adequadas e que possam impedir o uso da força”, disse.
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