
Sanaa, 02 jan 2022 (Lusa) — Os rebeldes Huthis anunciaram hoje que efetuaram 580 ataques contra a Arábia Saudita, paÃs que lidera a coligação árabe envolvida na longa guerra no Iémen, com o lançamento de 480 aparelhos aéreos não tripulados (‘drones’) e 100 mÃsseis balÃsticos.
Numa declaração transmitida pela televisão, o porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Sarea, disse que as tropas do grupo xiita e o lançamento de projéteis dentro e fora do Iémen ao longo de 2021 causaram cerca de 10.000 mortes, principalmente entre os soldados leais ao governo iemenita, reconhecido internacionalmente, e os contingentes militares sauditas e sudaneses da coligação árabe.
O porta-voz militar não forneceu informações especÃficas sobre as possÃveis vÃtimas ou danos causados pelas centenas de ‘drones’ e de mÃsseis que foram utilizados em ataques que tiveram como alvos preferenciais aeroportos, instalações militares ou infraestruturas petrolÃferas, quase sempre perto da fronteira.
De acordo com Yahya Sarea, os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, também lançaram 4.017 ‘drones’ e 340 mÃsseis balÃsticos contra alvos inimigos no Iémen, e contabilizaram 7.100 ataques aéreos lançados pela coligação árabe, 5.200 dos quais em Sanaa, a capital iemenita controlada pelos xiitas desde 2014.
Em relação ao número de baixas atribuÃdas a este movimento rebelde, 9.892 eram soldados leais ao governo internacionalmente reconhecido, 160 eram operacionais sauditas que foram mortos em confrontos junto à fronteira e 233 eram “mercenários sudaneses” que apoiam o exército saudita na fronteira sul do paÃs árabe, detalhou o representante.
Yahya Sarea não forneceu também números sobre os mortos ou feridos no seio dos Huthis, referindo apenas que as ações do seu movimento provocaram ferimentos a 14.869 iemenitas, 234 sauditas e 513 sudaneses.
Em 2021, a guerra no Iémen foi marcada pela retirada do apoio à coligação árabe pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pela rejeição dos Huthis à s propostas de paz da Arábia Saudita e pelo lançamento de uma ofensiva dos rebeldes contra a estratégica provÃncia de Marib, último bastião do governo no norte do paÃs, desde fevereiro.
O conflito começou no final de 2014 com os Huthis a controlarem grandes áreas do paÃs e agravou-se no ano seguinte com a intervenção da coligação árabe liderada por Riade em apoio ao governo internacionalmente reconhecido.
A ONU considera que esta guerra, que causou mais de 100 mil mortos, sobretudo civis, provocou a pior crise humanitária do mundo, estimando que mais de 24 milhões de pessoas, cerca de 80% da população do paÃs, precisam de algum tipo de assistência.
EL // SCA
Lusa/Fim



