
Budapeste, 15 mar (2026) – Dezenas de milhares de pessoas participaram hoje, no dia nacional da Hungria, em dois comícios rivais em Budapeste, um de apoio ao primeiro-ministro Viktor Orbán e outro a favor do líder da oposição Péter Magyar.
A quatro semanas das eleições parlamentares, os dois políticos denunciaram a interferência estrangeira nas eleições marcadas para 12 de abril, com Orbán a acusar a Ucrânia e a União Europeia (UE) e Magyar a culpar a Rússia.
Discursando em frente ao parlamento, Viktor Orbán prometeu que o seu Governo “preservaria a Hungria como uma ilha de segurança e calma (…) num mundo tão caótico” e pediu à Ucrânia que parasse de “atacar” o seu país.
O líder nacionalista, que procura ser eleito para um quinto mandato consecutivo, acusou Kiev de bloquear a reativação do oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo através da Ucrânia para a Hungria.
Colocado em desvantagem nas sondagens independentes, Orbán acusa a UE e a Ucrânia de apoiarem e financiarem a oposição e tem acusado Péter Magyar de ser um “fantoche” do presidente Zelensky, que estaria a conduzir os húngaros para a guerra contra a Rússia.
O líder da oposição, por sua vez, tem acusado Orbán de procurar ajuda junto do presidente russo, Vladimir Putin, para se manter no poder, numa altura em que o ‘site’ de investigação VSquare e o jornal britânico Financial Times revelaram a existência de uma campanha secreta nas redes sociais, liderada pela Rússia, para apoiar Orbán e enfraquecer a oposição.
No seu último grande comício de campanha, o conservador Péter Magyar transmitiu uma mensagem pró-europeia, reafirmando que o país pertence à União Europeia e à NATO.
“A nossa pátria faz parte da comunidade europeia, da NATO e do Ocidente”, declarou perante dezenas de milhares de apoiantes em Budapeste, no dia feriado em que os húngaros comemoram a revolta de 1848 contra o domínio dos Habsburgos.
O líder da oposição prometeu ainda “uma vitória eleitoral que se fará sentir também no Kremlin”, numa clara alusão às políticas pró-russas de Orbán.
A maioria das sondagens prevê que o Tisza, o partido de Magyar, vença as eleições de 12 de abril com uma vantagem de, pelo menos, 10 pontos percentuais sobre o Fidesz, liderado por Orbán, o que lhe poderá dar 115 dos 199 lugares no Parlamento.
Péter Magyar surgiu na política húngara há apenas dois anos, como dissidente do regime de Orbán e, desde então, conseguiu consolidar os votos contra o atual governo, posicionando-se como um político capaz de derrubar o primeiro-ministro.
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