Hungria/Eleições: MNE denuncia interferência estrangeira após divulgação de conversas com homólogo russo

Budapeste, 31 mar 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria denunciou hoje uma interferência estrangeira na campanha para as eleições legislativas, após a divulgação de conversas telefónicas em que assume trabalhar em prol dos interesses russos na União Europeia (UE).

Num vídeo publicado na rede social Facebook, Péter Szijjarto refere-se a “um escândalo muito grande”, criticando “a interceção” de chamadas suas “por serviços secretos estrangeiros, que as tornaram públicas”, “no interesse da Ucrânia”, a menos de duas semanas das eleições legislativas, em que o primeiro-ministro nacionalista pró-russo, Viktor Orbán, pode ser afastado pelo opositor Petér Magyar.

Um consórcio de meios de comunicação social da Europa de Leste, incluindo The Insider, VSquare e Delfi, noticiou hoje que Szijjarto forneceu ao chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, “informações estratégicas sobre questões cruciais” numa “linha direta”.

“A amizade de Szijjarto com Lavrov nunca tinha sido documentada antes, com chamadas telefónicas divulgadas a demonstrar toda a extensão da sua cumplicidade”, de acordo com o consórcio.

Os meios de comunicação social citam um antigo ministro europeu a falar de um “entusiasta infiltrado” na UE, referindo-se ao homólogo húngaro.

“Estou ao seu dispor”, terá dito Szijjarto a Lavrov, segundo a publicação.

Em particular, prometeu apoiar esforços para remover a irmã do bilionário russo Alisher Usmanov, um associado próximo do Presidente russo, Vladimir Putin, da lista negra europeia.

Mas também pediu aos interlocutores russos que lhe dessem argumentos para defender, em Bruxelas, o levantamento de certas sanções impostas a Moscovo após a invasão da Ucrânia.

“Se me ajudassem a identificar os efeitos diretos e negativos para a Hungria, ficaria muito grato. Porque se eu pudesse mostrar algo assim, abriria possibilidades totalmente diferentes para mim”, disse Szijjarto, segundo a citação no artigo.

O jornal norte-americano The Washington Post já tinha revelado há cerca de dez dias que Peter Szijjarto trocava regularmente chamadas telefónicas com Serguei Lavrov durante as pausas das reuniões da UE e, segundo o ‘site’ Politico, a Hungria está excluída de discussões sensíveis devido a esta proximidade.

Estes elementos estão a ser tornados conhecidos numa altura em que Viktor Orbán procura um quinto mandato nas eleições parlamentares de 12 de abril e tem vetado a ajuda da UE à Ucrânia.

A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, “falou no início desta semana” com Szijjarto, “reiterando a importância da confidencialidade nas discussões à porta fechada”, disse hoje Anitta Hipper, porta-voz da Comissão Europeia.

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