
Nova Iorque, Estados Unidos da América, 01 jun 2023 (Lusa) — A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) apelou hoje ao governo chinês para “reconhecer a responsabilidade pelo assassinato em massa de manifestantes pró-democracia” na Praça de Tiananmen, em Pequim, a 04 de junho de 1989.
Num comunicado, o grupo de defesa dos direitos humanos defendeu ainda que o Partido Comunista Chinês deve pagar compensações aos familiares das vÃtimas do massacre e da repressão que se seguiu.
A HRW disse ainda que as autoridades chinesas estão a aumentar os esforços para apagar a memória do massacre, tendo restringido o movimento e a comunicação de ativistas e membros das Mães de Tiananmen.
O grupo de familiares das vÃtimas do incidente divulgaram uma declaração pública em que reiteram um apelo à “verdade, compensação e responsabilidade” sobre o massacre, que, segundo estimativas, terá causado cerca de dez mil vÃtimas.
A polÃcia tem também detido ativistas dos direitos humanos devido a publicações que recordam o 04 de junho nas redes sociais, incluindo no Twitter — banido na China continental — e ameaçado outros ativistas para que não assinalem a efeméride, disse a organização.
A investigadora sénior da HRW para China, Wang Yaqiu, disse que a falta de responsabilização “encorajou” Pequim a impor “a detenção arbitrária de milhões, uma severa censura e vigilância e esforços para minar os direitos [humanos] internacionalmente”.
No inÃcio de maio, a polÃcia de Hong Kong apreendeu uma estátua intitulada ‘Pillar of Shame’ (“Pilar da Vergonha”), em memória da repressão na Praça de Tiananmen, que foi desmontada em 2021 e estava à guarda da Universidade de Hong Kong.
Em Macau, a União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia (UMDD), que organizou durante mais de 30 anos uma vigÃlia em homenagem à s vÃtimas do massacre de Tiananmen, foi extinta por receio da nova lei de segurança nacional, disse à Lusa um dos responsáveis.
“Fiquei preocupado que depois da revisão da lei, se uma pessoa dissesse algo, outros membros [da associação] pudessem ser afetados. Nesse caso, se tivéssemos de ser responsabilizados no futuro, esperávamos que outros membros não fossem implicados”, disse Au Kam San, ex-deputado e um dos fundadores da UMDD.
Em 04 de junho de 1989, o exército chinês avançou com tanques para dispersar na praça de Tiananmen, em Pequim, protestos pacÃficos liderados por estudantes, que pediam reformas democráticas para o paÃs, causando um número de mortos que ainda hoje é objeto de discussão. Estimativas chegam à s dez mil vÃtimas, embora Pequim defenda que a repressão dos “tumultos contrarrevolucionários” tenha levado à morte de duas centenas de civis.
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