
Jerusalém, 19 dez 2024 (Lusa) — A organização Human Rights Watch considerou hoje que Israel cometeu crimes contra a humanidade, de extermÃnio e ainda atos de genocÃdio, ao privar intencionalmente civis palestinianos da Faixa de Gaza de produtos básicos necessários à sobrevivência.
Num relatório de 184 páginas, intitulado “ExtermÃnio e Atos de GenocÃdio: Israel privou deliberadamente água aos palestinianos em Gaza”, a HRW refere que o Hamas, ao perpetrar os ataques no sul de Israel, a 07 de outubro de 2023, também cometeu “crimes de guerra” e “crimes contra a humanidade”.
Para a HRW, segundo o relatório, as autoridades israelitas impediram “intencionalmente os palestinianos em Gaza do acesso a água potável e ao saneamento básico necessários à sobrevivência humana” desde outubro de 2023.
“[Tal] resultou provavelmente em milhares de mortes”, indicou a organização não governamental de defesa e promoção dos direitos humanos, com sede em Nova Iorque, cuja acusação de genocÃdio é idêntica à avançada num relatório da Amnistia Internacional (AI), divulgado a 05 deste mês e intitulado “Sente-se Como Se Fosse Sub-Humano: O GenocÃdio de Israel contra Os Palestinianos em Gaza”.
“Restringiram o acesso de Gaza à água canalizada, inutilizaram a maior parte das infraestruturas de água e saneamento de Gaza cortando a eletricidade e restringindo o combustÃvel, destruÃram e danificaram deliberadamente as infraestruturas de água e saneamento e os materiais de reparação de água e bloquearam a entrada de abastecimentos de água essenciais”, denuncia a HRW.
“Não se trata apenas de negligência: é uma polÃtica calculada de privação que levou à morte de milhares de pessoas por desidratação e doença, o que constitui um crime de extermÃnio contra a humanidade e um ato de genocÃdio”, acrescentou
A HRW insiste no documento que as autoridades israelitas infligiram deliberadamente condições de vida calculadas para provocar a destruição de parte da população de Gaza e, ao fazê-lo, são responsáveis pelo crime de extermÃnio contra a humanidade e por atos de genocÃdio.Â
“O padrão de conduta, associado a declarações que sugerem que alguns funcionários israelitas desejavam destruir os palestinianos em Gaza, pode equivaler ao crime de genocÃdio”, frisou a organização, apelando aos governos e organizações internacionais para tomarem “todas as medidas para evitar o genocÃdio em Gaza, incluindo a suspensão da assistência militar, a revisão dos acordos bilaterais e das relações diplomáticas e o apoio ao Tribunal Penal Internacional e a outros esforços de responsabilização”.
Para elaborar o relatório, a HRW entrevistou 66 palestinianos de Gaza, quatro funcionários da Coastal Municipalities Water Utility (CMWU) de Gaza, 31 profissionais de saúde e 15 pessoas que trabalham com agências da ONU e organizações de ajuda internacional em Gaza, tendo também analisado imagens de satélite, fotografias e vÃdeos capturados entre o inÃcio das hostilidades em outubro de 2023 e setembro de 2024, bem como dados recolhidos e estimativas de médicos, epidemiologistas, organizações de ajuda humanitária e peritos em água e saneamento.
“A Human Rights Watch concluiu que as autoridades israelitas criaram intencionalmente condições de vida calculadas para provocar a destruição fÃsica total ou parcial dos palestinianos em Gaza” e “cometeram o crime de extermÃnio contra a humanidade”, ainda em curso.
Durante semanas, as autoridades israelitas cortaram toda a água e impediram a entrada de combustÃvel, alimentos e ajuda humanitária na Faixa de Gaza.Â
“As autoridades israelitas continuam com as restrições, situação que se manteve mesmo depois de o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) ter emitido medidas em janeiro, março e maio de 2024, ordenando à s autoridades israelitas que protegessem os palestinianos em Gaza do genocÃdio, fornecendo ajuda humanitária, especificando em março que tal inclui água, alimentos, eletricidade e combustÃvel”, lê-se no relatório.
Por outro lado, a “dizimação do sistema de saúde de Gaza”, incluindo o rastreio dos cuidados de saúde, significou que os casos confirmados de doenças, enfermidades e mortes possivelmente relacionadas com doenças transmitidas pela água, desidratação e fome não estão a ser sistematicamente rastreados ou comunicados.
Para a HRW, é “provável que milhares de pessoas tenham morrido” em consequência das ações das autoridades israelitas, mortes que se juntam à s mais de 44.000 vÃtimas mortais das hostilidades, segundo as autoridades de Gaza.
“O bloqueio contÃnuo do governo israelita a Gaza, bem como o encerramento da Faixa de Gaza durante mais de 17 anos, constituem também uma punição coletiva da população civil, um crime de guerra. O encerramento também faz parte dos crimes contra a humanidade de apartheid e perseguição que as autoridades israelitas têm vindo a cometer contra os palestinianos”, refere ainda a HRW.
Segundo a ONG, vários governos têm minado os esforços de responsabilização e “continuam a fornecer armas ao governo israelita, apesar do risco evidente de cumplicidade em graves violações do direito internacional humanitário”.
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JSD //Â APN
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