
Lichinga, Moçambique, 10 fev 2026 (Lusa) — O número de pessoas atendidas nos hospitais moçambicanos por consumo de drogas subiu em 18% em 2025, para 30 mil, com 2.500 toxicodependentes reintegrados nas famílias, anunciaram hoje as autoridades, admitindo um aumento de consumo pelos jovens.
“Verificou-se o aumento do número de pacientes com perturbações mentais e de comportamento decorrentes de uso de substâncias psicoativas, tendo sido atendidos em 2025 cerca de 30 mil pessoas”, disse a diretora do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), Filomena Chitsondzo.
A responsável falava na província do Niassa, norte do país, na abertura da reunião de planificação nacional estratégica do GCPCD, em que adiantou que em 2025 as autoridades moçambicanas realizaram mais de três mil visitas domiciliárias de apoio psicossocial, onde foram reintegrados nas famílias mais de 2.500 toxicodependentes, superando o número do ano anterior, em que foram reintegrados 500 consumidores.
As autoridades indicaram ainda que em 2025 realizaram mais de 20 mil palestras de consciencialização e sensibilização com o envolvimento dos pais, encarregados de educação, líderes comunitários, líderes religiosos, sociedade civil e parceiros de cooperação, sobre os malefícios resultantes do uso de drogas e suas consequências nefastas.
Os números apresentados pela responsável indicam ainda que mais de 300 cidadãos nacionais e estrangeiros estão nas cadeias por consumo de drogas, contra cerca de 950 em inícios de 2025, correspondendo a uma redução de mais de 600 detidos.
“Contudo, persistem desafios significativos, entre os quais se destacam o aumento de consumo entre jovens, a necessidade de maior capacitação técnica dos nossos quadros e o reforço de mecanismos de fiscalização e controlo”, admitiu a diretora do GCPCD.
Ainda em 2025, o gabinete avançou com mapeamentos das zonas de cultivo da canábis sativa, adiantando que foram feitos avanços no combate ao narcotráfico para reduzir os danos que têm causado, lembrando que apreendeu durante o ano mais de uma tonelada de diversas drogas.
O GCPCD está a avançar com o plano estratégico deste ano para travar o consumo da droga, com a diretora do órgão a pedir que se aposte no fortalecimento das ações de prevenção, com enfoque especial nos adolescentes e jovens, nas comunidades mais vulneráveis e no reforço da articulação entre os setores do Estado e a sociedade civil.
O gabinete quer também ver melhorias na capacidade institucional, tanto em recursos humanos como materiais, pedindo aposta numa comunicação estratégica eficaz, capaz de promover mudanças de comportamento e reforçar a consciência social sobre riscos associados à droga.
Em 18 de novembro do ano passado, as autoridades nacionais disseram que Moçambique apreendeu e incinerou drogas avaliadas em 21,6 milhões de euros em 2024, mas enfrenta desafios significativos no combate ao tráfico, enquanto país de trânsito de redes internacionais.
Um total de 950 quilogramas de drogas foram apreendidas e 294 pessoas detidas no primeiro semestre de 2025 em Moçambique, indica-se no relatório sobre a situação do consumo e tráfico ilícitos de droga em Moçambique, elaborado pelo GCPCD, referente ao primeiro semestre, em que se aponta para o envolvimento de funcionários públicos em pontos de entrada dos estupefacientes.
Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor de trânsito para o tráfico internacional de estupefacientes com destino à Europa e Estados Unidos, sobretudo de heroína oriunda da Ásia, mas as apreensões de cocaína oriunda da América do Sul têm também aumentado.
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