Homícidio de polícias em Moçambique é uma “preocupação muito grande” – ministro

Maputo, 27 out 2025 (Lusa) – O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique admitiu hoje existir uma “preocupação muito grande” com a onda de homicídios de polícias, pedindo ao Ministério Público para investigar e responsabilizar os autores dos crimes.

“É claro que o Governo de Moçambique está muito preocupado com a ocorrência de vários crimes ao longo desses dias, mas principalmente com os crimes hediondos que têm acontecido, principalmente na eliminação de agentes policiais. É uma preocupação muito grande”, disse Mateus Saize, à margem da Conferência Nacional da Associação Nacional dos Juristas Moçambicanos (Anjur).

O último de pelo menos seis casos do género, só nos arredores de Maputo, envolveu uma comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM), morta com vários tiros ao princípio da noite de quinta-feira, confirmou no mesmo dia à Lusa fonte da corporação, decorrendo investigações.

Em declarações aos jornalistas, Mateus Saize disse que o Governo moçambicano “está atento” aos casos de homicídio de agentes da polícia, pedindo à Procuradoria-Geral da República, através do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), para avançar com investigações, para responsabilizar os autores desses crimes.

“Nós acreditamos que quer a Procuradoria, através do Sernic, quer o próprio Ministério do Interior, vão encontrar mecanismos de investigação para podermos identificar os autores dos crimes para podermos levá-los à barra do tribunal. Nós, como Governo, estamos atentos ao que está a acontecer”, disse Mateus Saize.

Questionado se a celeridade nas investigações e nos processos, incluindo a responsabilização, iriam travar a morte de polícias a tiro, o ministro disse que o executivo está a reforçar as instituições de investigação criminal com meios para esclarecer os crimes.

“A celeridade processual, da investigação e do julgamento é preocupação do Governo, mas existem mecanismos que estão instituídos por lei e são esses em que nos devemos basear na nossa investigação. Estamos preocupados, sim, não é só porque está a atingir a classe de polícias, mas todos os crimes, a todos os cidadãos. O Governo está preocupado em estancar este tipo de crime”, assegurou Mateus Saize.

No último caso, a comandante distrital de Marracuene, na província de Maputo, sul do país, segundo fonte da corporação, foi alvejada no interior de uma viatura ao longo da Estrada Circular, no município da Matola.

Este foi o sexto evento violento do género na Matola, município nos arredores da capital, desde junho, e nos quais estiveram envolvidos agentes da polícia moçambicana.

O caso anterior aconteceu na manhã de 01 de outubro, em que a polícia moçambicana confirmou que um agente do Sernic foi visado e ferido no tiroteio que provocou a morte de duas pessoas, atingidas por balas perdidas, na Matola, arredores de Maputo.

Outro caso aconteceu na manhã de 09 de setembro, com um sargento principal alvejado mortalmente quando se encontrava no interior da sua viatura, numa zona denominada Mangueiras, área de jurisdição da sétima esquadra da polícia, no bairro T3, na província de Maputo.

Em 04 de julho, pelo menos quatro pessoas foram mortas numa troca de tiros com agentes da PRM durante uma operação para impedir um assalto a uma empresa de construção civil na Matola.

Em 02 de julho, a PRM confirmou o homicídio de dois agentes da corporação, com 54 tiros, na manhã desse dia, e ferimentos por bala de uma mulher de 78 anos, também na Matola, arredores da capital moçambicana.

O primeiro caso aconteceu igualmente na Matola, na noite de 11 de junho, quando um agente da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da PRM foi morto com cerca de 50 tiros, no bairro Nkobe, por três homens até ao momento não identificados.

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