
Beirute, 25 ago 2025 (Lusa) — O lÃder do Hezbollah, Naim Qassem, reiterou hoje a recusa do grupo xiita libanês em entregar as suas armas quando o LÃbano continua a ser atacado por Israel e pediu ao Governo diálogo para restaurar a “soberania nacional”.
“Não deporemos as armas que nos protegem do inimigo e não permitiremos que Israel circule livremente pelo nosso paÃs (…) Temos muitos apoiantes, mais de metade da população libanesa, e todos estão a trabalhar em conjunto para proteger as armas”, declarou o clérigo xiita num discurso televisivo.
O Conselho de Ministros libanês encarregou no inÃcio do mês o Exército de preparar um roteiro para o desarmamento do movimento xiita, a implementar antes do final do ano, e dois dias depois aprovou os objetivos de um plano proposto pelos Estados Unidos com foco no mesmo objetivo.
Qassem voltou a considerar esta decisão como um erro e argumentou que responde aos ditames de Israel e dos Estados Unidos, cujo enviado especial, Thomas Barrack, chegará a Beirute na noite de hoje para continuar a sua mediação sobre o roteiro para o desarmamento das milÃcias existentes no paÃs, incluindo o Hezbollah.
“A alternativa à resistência é a capitulação e, com isso, deixará de ser uma barreira inexpugnável contra Israel, impedindo de atingir os seus objetivos”, insistiu o secretário-geral do grupo apoiado pelo Irão.
Qassem apelou ao Governo para convocar uma série de sessões intensivas de diálogo para determinar a forma de restaurar a “soberania nacional” através da diplomacia, da elaboração de uma estratégia de defesa e do reforço do Exército.
O lÃder do grupo polÃtico armado, que conta com dois ministros no atual Governo, considerou que o poder executivo tem a responsabilidade de desenvolver um plano para a soberania libanesa e que, sem ele, o paÃs, atingido por uma sucessão de crises nos últimos anos, não alcançará a estabilidade nem o seu renascimento.
“Apelo aos partidos polÃticos e intelectuais para que apoiem o Governo com as suas propostas de restauração da soberania nacional por todos os meios”, disse ainda o lÃder do Hezbollah, um grupo que é acusado de se comportar como um estado paralelo, através da sua ação polÃtica, militar e também social.
O grupo radical xiita rejeitou reiteradamente as medidas de desarmamento aprovadas nas últimas semanas pelo Conselho de Ministros e afirmou que as ignorará, considerando que servem os interesses de Israel, numa altura em que as forças do paÃs vizinho continuam a atacar alvos alegadamente do Hezbollah quase diariamente.
Além disso, as tropas israelitas continuam a ocupar cinco áreas no sul do LÃbano, violando o cessar-fogo acordado que vigora desde novembro passado.
De acordo com os meios de comunicação locais, Barrack chegará ao LÃbano depois de ter procurado algumas concessões dos israelitas em resposta à s medidas tomadas pelo Governo libanês de desarmamento do Hezbollah, que podem incluir uma cessação temporária dos ataques e a sua retirada de uma das áreas ocupadas.
Após quase um ano de troca de tiros ao longo da fronteira israelo-libanesa, Israel lançou uma forte campanha aérea no verão do ano passado, que decapitou a direção do movimento xiita, incluindo o seu lÃder histórico, Hassan Nasrallah, e vários outros altos membros da sua hierarquia polÃtica e militar.
Desde o cessar-fogo, o Estado libanês tem procurado concentrar todo o armamento do paÃs nas mãos das forças de segurança oficiais.
Os bombardeamentos israelitas continuam no entanto a visar posições e alvos alegadamente do Hezbollah e Israel ameaça voltar a intensificar as suas operações militares caso o movimento não se desarme.
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